Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 10/10/2019
No período da Idade Média, os indivíduos com deficiência física e mental eram tratados como castigo do divino sendo, então, excluídos socialmente. Analogamente a isso, na atualidade, é perceptível a persistência da discriminação das pessoas com espectro autista, o que revela o desconhecimento dos seres humanos sobre essa patologia. Nesse aspecto, é válido analisar os impasses a serem enfrentados na inclusão desse público em relação à sociabilidade e a fragilidade educacional. Primeiramente, à negligência quanto ao tratamento do autismo é um dos desafios a ser superado.Esse fenômeno ocorre em virtude da ausência de informação dos pais e da população sobre o transtorno, o que contribui para a solidificação do preconceito e rejeição social. Tal fato dialoga com a ideia de “Modernidade Líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman, em que a sociedade capitalista tende a ser mais individualista e menos empática corroborando, assim, para a falta de amparo por parte da família, por exemplo. Desse modo, muitos autistas possuem dificuldade de comunicação e raciocínio facilitando, nesse sentido, a supressão da sua socialização e, consequente, exclusão.
Além desse fator, outro problema a ser combatido para garantir a inclusão desse público se diz respeito à estrutura inadequada das escolas para a recepção dos alunos autistas. Isso ocorre devido ao despreparo das instituições de ensino em relação à falta de profissionais especializados aliado a precarização das salas que não possuem ferramentas eficazes para comportar esses indivíduos. Nesse contexto, é visível a violação da teoria “Contratualista” do filósofo John Locke, na qual o Estado não cumpre sua função de garantir os direitos básicos de educação às pessoas com deficiência, como consta na constituição de 1988. Dessa forma, é preciso que haja mudanças nos mecanismos de aprendizagem dos autistas para que eles se sintam incluídos e exerça sua cidadania sem estereótipos de incapacidade.
Fica evidente, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas públicas auxiliadoras. Cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Educação, realizar palestras informativas sobre as características do autismo, com o intuito de instruir os pais a identificar precocemente o transtorno e procure um tratamento aos filhos. Ademais, é importante também que esses órgãos ofereçam cursos gratuitos de qualificação aos professores direcionada a essa área para que eles saibam lidar com situações que envolvam os autistas, além de investir na construção de salas especializadas que comporte esses alunos, objetivando maior aprendizagem e desenvolvimento das habilidades cognitivas deles. E, com essas medidas, pode-se promover a inclusão dessas pessoas para tornar a sociedade mais igualitária.