Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 13/10/2019

A série “The good doctor” retrata a história de Shaun Murphy,um médico autista que,apesar de ser muito talentoso,sofre discriminação no ambiente de trabalho.Analogamente,fora do campo ficcional,também ocorre o preconceito com indivíduos que possuem o transtorno do espectro autista (TEA),de modo que eles são inferiorizados e excluídos socialmente.Assim,no panorama hodierno brasileiro,tal problemática está relacionada a fatores como a falta de informação no que tange a essa síndrome,bem como atitudes supostamente inclusivas, as quais dificultam ainda mais a integração.

Primeiramente,é imperioso ressaltar como a indisponibilidade de amplo acesso informacional acerca do autismo é responsável por uma discriminação enraizada socioculturalmente.Nesse viés,cabe analisar o conceito de “fato social” do sociólogo Émile Durkheim,o qual seria uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade,generalidade e coercitividade,sendo determinado por instrumentos socioculturais.À vista disso,é incontrovertível que grande parte do contingente demográfico brasileiro é influenciada por um fato social de que indivíduos com autismo seriam anormais e jamais conseguiriam se adaptar às interações sociais.Conquanto,caso o povo possuísse um maior conhecimento sobre essa temática,seria notório que quanto mais cedo for realizado o diagnóstico e tratamento,maiores são as chances de inclusão.

Destarte,pode-se observar como o imbróglio informacional supracitado tem reflexos em atitudes supostamente inclusivas,como a decisão de formar escolas somente para autistas.Segundo o filósofo Jeremy Bentham,a ética utilitarista tem a perspectiva de agir com consequências coletivas,isto é,o valor moral da ação se define pelo bem coletivo a maior quantidade de pessoas.Assim sendo,a população atua de modo contraproducente a tal teoria,uma vez que o ato de impedir crianças com com TEA de passarem pela necessária socialização que ocorre em escolas comuns é uma ação imoral.Mediante o exposto,nota-se que tal cenário dificulta a inclusão efetiva de autistas,de forma que há o estigma de que eles não seriam capazes de ter relações sociais com as pessoas “normais” e,por conseguinte,não poderiam ser aceitos com naturalidade em ambientes sociais como trabalho,escola e faculdade.

Fica evidente,portanto,que é imprescindível cessar essa problemática.Assim,o Ministério da Educação deve elaborar um projeto de lei que puna escolas que não aceitem crianças autistas.Para isso,urge a fiscalização de que os colégios estejam oferecendo um atendimento pedagógico adequado,de modo que haja o respeito e a integração social,através de palestras com psicopedagogos que elucidem as nuances de comportamento do TEA e estimulem o convívio social com autistas,pois eles são cidadãos comuns e merecem ter seus direitos respeitados.Dessa forma,o povo poderá ter uma visão inclusiva.