Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 14/10/2019
No seriado norte-americano “Atypical”, retrata-se o cotidiano familiar e estudantil de Sam, menino diagnosticado com autismo, que busca encontrar uma namorada no auge da sua adolescência. Fora da ficção, embora o autismo seja uma condição recorrente no Brasil, a inclusão de pessoas com esse tipo de transtorno é desafiante no país. Sob esse viés, o preconceito e a ineficácia de políticas públicas corroboram esse cenário excludente. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados com o escopo de modificar essa adversa realidade.
Inicialmente, ressalta-se que o preconceito frente aos autistas influencia na exclusão desse grupo, na medida em que comportamentos irrefletidos são possíveis sociedade. Nesse sentido, a desinformação a respeito das características desse transtorno inviabilizam um entendimento acerca das necessidades e particularidades de pessoas com esse diagnóstico, as quais podem ser banais para os demais indivíduos. Isso é evidenciado, por exemplo, em um episódio de “Atypical”: quando a namorada de Sam toma conhecimento do seu incômodo com barulho propõe que os demais estudantes usem fones de ouvido para propiciar um ambiente mais confortável ao garoto. Com isso, percebe-se que pequenos gestos do cotidiano podem ser realizados em benefício de uma sociedade mais inclusiva.
Outrossim, é fato que no país já existem projetos como a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. No entanto, é válido pontuar que tais medidas públicas não surtem o efeito esperado, uma vez que é escasso ou não é efetivado, por exemplo, a participação dos autistas no mercado de trabalho como teorizada. Essa situação é intensificada, sobretudo, diante da errônea ideia presente nas empresas da falta de habilidade e de competência desses indivíduos. Por conseguinte, é notório que as potencialidades do grupo em debate não são exploradas, bem como é inviabilizado o exercício da cidadania dessas pessoas.
Destarte, é essencial alterar esse contexto excludente que envolve os autistas. Para tanto, é impreterível que as escolas ampliem o entendimento dos jovens acerca desse transtorno, mediante palestras e aulas temáticas, as quais enfatizem as particularidades exigidas geralmente pelo grupo em questão, a fim de alterar o comportamento social e, assim, promover um ambiente mais harmônico e inclusivo. Concomitantemente, é imprescindível que o Ministério do Trabalho associado as empresas privadas ofereçam mais vagas de emprego destinadas aos autistas, com o fito de efetivar políticas públicas e fomentar uma maior interação social para essas pessoas