Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 04/10/2019

O autismo é muito retratado em filmes e séries, como em The Big Bang Theory e The Good Doctor mas, o que deveria instruir a população, acaba criando estereótipos. Nesse contexto, é indubitavelmente necessário que sejam superados os desafios para a inclusão de pessoas com Transtornos do Espectro Autista (TEA) no Brasil, haja vista as dificuldades para a obtenção de um diagnóstico precoce e a falta de informação do público em geral.

Em primeiro plano, a falta de preparo dos profissionais da saúde e o preconceito histórico com a psiquiatria, dificultam um diagnóstico precoce. Exemplo disso foi o caso de Guaraciana de Amorim que, ao assistir o médico Drauzio Varella na TV falando sobre o transtorno, percebeu o que nenhum dos pediatras havia diagnosticado: seu sobrinho de 5 anos era autista. Segundo estudo da Universidade da Califórnia, os sintomas já podem ser identificados a partir dos 6 meses de idade e, com tratamento, são reduzidos drasticamente até os 4 anos. Se fosse diagnosticado com antecedência, o sobrinho de Guaraciana hoje enfrentaria menos dificuldades.

Além disso, a falta de informação do público geral e as representações midiáticas estereotipadas do transtorno alimentam um cenário de preconceito. Tanto na série Atypical, quanto no filme O Jogo da Imitação, assim como nas séries citadas anteriormente, há uma representação de autista homem, branco, socialmente inadequado e, em duas das quatro, gênio de exatas. Sim, esses autistas existem, mas não são os únicos. Exemplo que foge a esse estereótipo é a ativista pelo meio ambiente, Greta Thunberg.

Torna-se evidente, portanto, que o primeiro passo para a inclusão de pessoas com TEA é informar a sociedade. Para isso, a Associação Brasileira de Psiquiatria, deve organizar congressos de atualização para profissionais de saúde em geral. Esses congressos devem ter como finalidade disseminar informação sobre saúde mental, inclusive sobre o autismo, aos profissionais de saúde para que esses informem a população leiga. Dessa forma enfermeiros, psicopedagogos, psicólogos, educadores físicos, fisioterapeutas e médicos poderão identificar potenciais portadores de TEA e encaminhá-los para avaliação psiquiátrica. Assim, pessoas com TEA, ao receber o tratamento e apoio adequados, devem ter mais facilidade em se incluir na sociedade.