Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/09/2019
Na série televisiva “The Good Doctor” narra os desafios enfreados por um jovem médico com autismo, Shaun Murphy, que começa a trabalhar em um famoso hospital norte-americano e precisa provar sua capacidade aos seus colegas de serviço. Fora da ficção, a realidade brasileira demonstra as mesmas conotações no que se refere a inclusão de pessoas com autismo. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema de contornos específicos, seja em virtude da falta de conhecimento, seja pelo individualismo na sociedade.
Convém ressaltar, a princípio, que a desinformação caracteriza-se como um complexo dificultador. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica a causa do problema: se a população não tem acesso à informação sobre o transtorno, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação da problemática. Desse modo, um caminho para integração à problemática no Brasil é incentivar a comunidade a buscar informações em fontes confiáveis, e assim, conhecer seriamente o problema.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a dificuldade enfrentada em questão da falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira especifica na realidade brasileira, no que tange aos desafios para inclusão de pessoas com autismo, pois o egoísmo faz com que a pessoa se sinta sozinho e desorientado, o que pode gerar a ausência de perspectiva. Logo, essa liquidez que influi sobre a questão funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Torna-se evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Dessa maneira, é imperioso uma ação do Ministério da Saúde, que deve, por meio das mídias sociais, bem como Facebook, Instagram e YouTube, promover campanhas publicitárias, com o intuito de informar a população a respeito do tema. Ademais, as escolas, devem abordar em classe, através de palestras com médicos e psicólogos, com vistas a desconstruir os mitos em relação as pessoas com autismo, assim como incentivar a empatia e o altruísmo. Por fim, é necessário que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais amor, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.