Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 25/09/2019
Shawn Murthy, um brilhante médico que faz residência em neurocirurgia, é desafiado a lidar com os desafios cirúrgicos e, ao mesmo tempo, com a dureza de seus colegas e pacientes por portar autismo. Essa é a sinopse de “The Good Doctor”. Longe da ficção, contudo, o painel retratado na série não se distancia da realidade vivida pelos portadores da síndrome. Nesse sentido, no que tange a questão da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da má representação midiática e do individualismo da pessoas.
Em uma primeira análise, a persistência da problemática é intrinsecamente fomentada pela má representação da mídia. A tendência histórica ruim que os meios midiáticos têm de silenciarem o problema ao não não promoverem a discussão do tema e ao garantirem a falta de profissionais que possuam a deficiência frente às câmeras, por exemplo, faz, continuamente, com que a população desconheça o dilema e se torne indiferente quanto a importância do assunto. Nessa perspectiva, se - segundo Pierre Bourdieu - as visões sociais são determinadas por agentes, como a mídia, é evidente salientar que a omissão dela tende a dar prosseguimento aos desafios da inclusão de pessoas com autismo no país e, consequentemente, a fomentar a intolerância e a segregação contra esse grupo.
Ademais, em um segundo plano, o individualismo dos cidadãos é um mecanismo intenso desse impasse. De acordo com o sociológo Zygmunt Bauman, vivemos tempos líquidos, ou seja, uma época de artificialidade nas relações humanas que é caracterizada pelo individualismo. Assim, a falta de empatia entre a comunidade tem promovido a aversão ao diferente que, por conseguinte, tende a estimular o preconceito e a discriminação contra os portadores de autismo, o que dá origem a diversas mazelas, tais como o bullying, a violência e a criação de traumas nessas pessoas. Desse modo, o quadro do panorama líquido se configura como um importante desafio para a inclusão de autistas no país, o que exige a realização de transformações.
Portanto, faz-se mister efetivar medidas para a atenuação desse cenário. Destarte, é necessário que o Estado brasileiro, em parceria com os meio midiáticos, promova campanhas de conscientização e incentivo à inserção do grupo autista na sociedade. Por meio de reportagens que demonstrem os desafios vividos por ele no meio social e da adição de pessoas que possuem a síndrome no conjunto de apresentadores de programas televisivos e afins, será possível erradicar a segregação vivida por essas pessoas. Agindo assim, a construção de uma sociedade que se distancie de “The Good Doctor” e que preze pela inclusão de todos os indivíduos será real, não um ideal ou uma utopia.