Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 21/09/2019

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática têm a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, no Brasil, nota-se que algumas parcelas da sociedade - como é caso dos autistas - não gozam da mesma importância que os demais, uma vez que esses são acometidos exclusão social, resultando no difícil acesso no meio educacional e, sobretudo, no mercado de trabalho. Nesse viés, dois fatores, acima de tudo, fazem-se relevantes: a ausência de um planejamento sócio-governamental voltado a temática e a insuficiência aplicacional da constituição. Assim, medidas são imprescindíveis para atenuar essa problemática.

A priori, é válido destacar que existem dois milhões de autistas na sociedade brasileira, segundo a USP. Entretanto, a mínima parte desses compõe os cenários escolares, universitários e trabalhistas, o que é fruto de uma irresponsabilidade governamental, já que, apesar das medidas existentes a fim de incluir esses no meio social, essas não sejam postas em prática. Outrossim, é de suma importância destacar que os autistas, apesar das diferenças em relação aos que não possuem o transtorno, são capazes, em sua maioria, de ingressar de forma ativa na sociedade. Nesse sentido, a associação Autismo Ávila afirma em suas campanhas: ‘‘O autismo não se cura, compreende-se.’’

A posteriori, faz-se necessário destacar que o Brasil, em sua atual constituição - conjunto de normas de maior poder hierárquico - tem diversos postulados acerca da integração dos que possuem TEA (Transtorno de Espectro Autista). No entanto, esses ainda não são aplicados de forma eficaz por grande parte das empresas e centros educacionais, o que revela a insuficiência aplicacional das diretrizes voltadas à temática. Apesar dessa realidade, instituições educacionais como o Colégio Pauliceia, de São Paulo, adota uma das mais arrojadas políticas de inclusão. Cerca de 200 de seus quase 600 alunos são incluídos – metade deles com os mais variados níveis de TEA.

Diante do exposto, nota-se a necessidade de mudanças a fim de garantir a inclusão dos indivíduos autistas nas mais diversas camadas sociais. Logo, cabe ao governo federal, somado à figura dos governos estaduais, além de fiscalizar os já existentes, promover novos regulamentos, os quais exijam meios de integração dos que possuem TEA nas instituições educacionais e trabalhistas, a fim de garantir uma harmonia social. Além disso, compete ao Ministério da educação o gerenciamento de projetos escolares, em que, através de palestras, seja explicitado as características do TEA e a importância da integração dos que o possuem. Dessa maneira, espera-se diminuir os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, e estabelecer a noção do Associação Autismo Ávila.