Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 20/09/2019

Em 1729, o iluminismo consolidou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo pela primeira vez a dignidade humana a todos. A partir de então, o convívio em sociedade foi balizado por leis. No presente, quase três séculos depois foi sancionada a lei Berenice Piana que busca incluir de forma isonômica e efetiva pessoas com o TEA , Transtorno do Espectro Autista de forma digna. Entretanto, o meio social ainda se mostra incapaz de tratar os autistas de forma digna, contrariando os objetivos iluministas e a lei sancionada. Com efeito, evidencia-se a necessidade de derrubar estigmas e preconceitos, buscando promover a neurodiversidade e valorizar as pessoas autistas.

Sob uma primeira analise, a falta de aceitação do meio social somada à falta de informação em relação a àqueles com o TEA inviabiliza o tratamento dessa enfermidade. Nessa perspectiva, o escritor e sociólogo Gilberto Freyre, em sua obra “Casa- Grande e Senzala, narra que, o Brasil foi construído a partir do modelo de lar burguês, que repudiava toda forma de deficiência. Desse modo, tal preconceito tornou-se enraizado,sendo difundido. Tristemente, a inclusão ficou mais forte na teoria, pois na prática a fragilidade é evidente. Migrando para o cenário da educação como exemplo, é notável a falta de estruturas e recursos uma vez que, a escola de ensino regular não possui subterfúgio para inserir a neurodiversidade, deixando um dos direitos propostos pela lei Berenice Piana negligenciado.

Em uma segunda analise, destaca-se o indivíduo com TEA na vida adulta.A falta de informação das empresas e o no mercado de trabalho, amplia o preconceito, e desvaloriza a capacidade do profissional em sua área de atuação por conta de estigmas. Um exemplo da ficção, na série The Good Doctor, Shaun Murphy um jovem médico com TEA luta para vencer os preconceitos impostos pela equipe e mostrar a sua notoriedade. Saindo da ficção,é evidente que tudo que se sabe a respeito do TEA em sua fase de criança a adulto, é coberto por uma cortina de desinformação em vários áreas que favorece a invisibilidade dos autistas. Assim, enquanto a omissão do poder público e da sociedade se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com a principal negligência

É urgente, pois, que o TEA seja tratado com eficácia. É mister, que as três esferas repassem subterfúgios para a promover a educação escolar, capacitando equipes de coordenação de forma adequada, com a finalidade de que os alunos com TEA possam desenvolver suas capacidades de forma individual. A cargo de ONG’s e Ministério do Trabalho informar sobre a neurodiversidade, através de palestras ,seminários e propagandas, buscando informar sociedade e empresas, para isto posto melhorar o tecido social acerca da neurodiversidade, incluindo pessoas autistas de forma digna derrubando estigmas e objetivando os preceitos Iluministas e respeitando a lei de Berenice Piana.