Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 20/09/2019
De acordo com o Artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário desde 1948, todo membro da família humana tem direito à dignidade. Entretanto, mesmo após 70 anos desse compromisso mundial, a exclusão de pessoas autistas fere essa prerrogativa. Logo, poder público e sociedade devem buscar caminhos não somente para incluir essa parcela importante da sociedade, mas também para educar o cidadão sobre a gravidade dessa problemática. Em primeiro lugar, é importante destacar que, muito em função do descaso governamental, a falta de um sistema que integre os indivíduos com Transtorno de Espectro do Autismo, TEA, corrobora para a atual situação alarmante. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, autor da célebre obra “Leviatã”, é papel do Estado manter a nação em harmonia. Em contrapartida, a prerrogativa hobbesiana não é garantida, uma vez que as crianças autistas não possuem um acompanhamento profissional gratuito nas escolas, desde as séries iniciais, que permita a sua inserção de forma digna – inviabilizando um direito protegido por lei. Dessa maneira, é mister que as prefeituras devem melhorar, com o aporte financeiro do Ministério da Educação, o acompanhamento psicossocial nos colégios, através da contratação de psicólogos educadores físicos que façam uso de aplicativos e de atividades lúdicas. Por fim, essas atividades irão possibilitar uma melhor inserção dos alunos autistas.
Ademais, a falta de discussão nas entidades de ensino sobre a TEA agrava ainda mais esse problema. Um bom exemplo disso é que as escolas se preocupam mais nos alunos decorarem sobre as causas das Síndromes, nas aulas de biologia, do que debater sobre o que é o autismo e as dificuldades que a pessoa com autismo enfrentam. Isso deixa perceptível que a nação é extremamente desinformada sobre o tema, por conseguinte não se sensibiliza e nem entende como esse problema social é grave. Por isso, cabe às ONGS e às Universidades, cumprindo os seus papéis de formadores sociais, criarem aulas e rodas de debate nos finais de semana, para toda comunidade participar, por meio de palestrantes e de oradores instruídos que detalhem sobre o TEA, os preconceitos e os paradigmas enfrentados pela pessoa autista. Assim, o cidadão torne-se racional e desenvolva a alteridade, isto é, se colocar no lugar do outro.
A inabilidade do Estado aliado ao desconhecimento do cidadão são, portanto, entraves para a sua solução. Por tudo isso, além das medidas supracitadas, os canais de TV aberta têm o papel, utilizando-se do investimento social privado, de criarem reportagens e narrativas ficcionais (séries e novelas), que tratem do tema, haja vista que a televisão alcança todos os lugares e diferentes públicos. Somente assim, será possível criar uma nação mais igualitária e mais preocupada com os Direitos Humanos.