Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 17/09/2019

A série norte-americana “The Good Doctor”, retrata os problemas e preconceitos vividos pelo protagonista, por ser portador do espectro autista, no qual é criticado e marginalizado por outras pessoas. Fora da ficção, constata-se que essa problemática permeia a sociedade brasileira, e, com isso, nota-se desafios para inserção desses indivíduos, como a carência de políticas públicas de integração social e o preconceito diário.

A priori, é fato que é omissão estatal frente a promoção de campanhas de inserção e dos direitos desses cidadãos fomenta o caos. Dessa forma, segundo o filósofo John Locke, esse impasse externa uma transgressão ao “contrato social”, uma vez que o Poder Público não garante efetivamente os direitos primordiais, como a saúde e educação previsto no Artigo 6 da Carta Magna. Com efeito, nota-se a carência de um sistema público de saúde capaz de oferecer os atendimentos especializados de forma homogênea no país, bem como um déficit de integração social no setor estudantil que rompe com a lei prevista. Logo, percebe-se a marginalização na sociedade e a privação dos direitos aos indivíduos com esse transtorno.

Outrossim, nota-se ainda que a intolerância da família, escola e sociedade aos autistas também corrobora para o caos. Isso acontece porque boa parte das pessoas confundem esse transtorno com uma doença e tacham-os de incapazes de exercerem hábitos e terem uma vida normal. Nesse sentido, dados do Ministério da Saúde afirma que no Brasil existe cerca de 2 milhões de autistas. Atrelado a isso, a lei 12.764 garante todos os direitos a esse grupo (como saúde educação e igualdade), porém ainda não é uma realidade visto que muitas escolas não buscam integral e mitigar tais preconceitos. A mídia não lança campanhas que mostrem os sintomas da família e os malefícios do preconceito. Assim, observa-se um isolamento sócio-familiar devido à intolerância vigente.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir uma vida digna aos autistas conforme o artigo 6°. Destarte, o Governo Federal, junto ao Ministério da Saúde, deve lançar campanhas que mostrem os principais sintomas do transtorno, bem como criar grupos de apoio com profissionais especializados para buscar tal integração por meio de projetos de lei informação. Ademais, as escolas, juntas a mídia, podem promover ações que mostrem os malefícios do preconceito dentro e fora de casa e informe a maneira correta de como conviver com esses indivíduos de forma pacífica e harmoniosa, por meio de aulas previstas na grade curricular e propagandas informativas, no fito de amenizar gradativamente essa intolerância e formar cidadãos mais morais e conscientes.