Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/10/2019
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma síndrome que se instala, geralmente, nos três primeiro anos de vida, quando os neurônios, os quais coordenam a comunicação e os relacionamentos sociais, não formam as conexões necessárias. Além disso, essa desordem que afeta, atualmente, cerca de 2 milhões de indivíduos no Brasil, segundo dados divulgados pela Universidade de São Paulo (USP), também possui influência no comportamento humano, sendo caracterizado como mais inquieto e retraído. No entanto, apesar do crescente número de casos envolvendo o autismo, não há uma inclusão efetiva.
Primeiramente, o preconceito que permeia esse transtorno decorre da desinformação, uma vez que o conhecimento de seus aspectos não se encontram plenamente difundidos na sociedade, e do estereótipo negativo criado acerca de pessoas com deficiência, consideradas inferiores. Diante disso, Nicolau Maquiavel, filósofo que viveu entre os séculos XV e XVI, contribui para esse entendimento ao expor que o preconceito possui raízes mais profundas que os princípios, ou seja, que a discriminação é inerente à sociedade. Com isso, nota-se a perpetuação das formas de exclusão.
Outrossim, a falta de qualificação de profissionais da área educacional e da própria instituição escolar, os quais, ao não se adaptarem às necessidades dos autistas, acabam segregando-os ainda mais. Porém, a inserção destes no ensino regular se faz necessária, umas vez que, ao entrar em contato com indivíduos que não possuem TEA, a comunicação e as interações sociais são estimuladas. Com base nisso, o curta animado “Cordas”, ao retratar a amizade de Maria e Nicolás, um menino com deficiência, corrobora com o exposto, na medida em que demonstra a inclusão escolar como base para a aceitação do diferente.
Portanto cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, intensificar as campanhas sobre o Transtorno do Espectro Autista, a partir da exposição das principais características e tipos de desordem, a fim de conscientizar a população, como forma de minimizar o preconceito existente. Além disso, as escolas, em conjunto com psicólogos, devem qualificar os professores para um melhor acolhimento de autistas, ao estabelecer as melhores formas de tratamento e interação para com eles, de maneira que ocorra uma maior inclusão desses indivíduos na comunidade.