Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 17/09/2019
O artigo 3° da Constituição Federal estabelece que é dever do Estado construir uma sociedade livre, justa e erradicar a marginalização. Entretanto, os entraves para a inclusão de pessoas autistas impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito na prática. Desse modo, é válido analisar o sistema educacional e a falta de informação como fatores que potencializam essa problemática.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a desinformação representa um obstáculo à integração de autistas. Esse cenário ocorre devido a falta de campanhas públicas esclarecedoras sobre os sintomas dessa síndrome, o que dificulta a identificação do transtorno nos indivíduos, fator fundamental para um tratamento prévio. Consequentemente, o desconhecimento pela sociedade sobre o autismo e suas manifestações no cidadão faz com que atos segregacionistas e preconceituosos sekam intensificados. De acordo com Helen Keller, escritora ativista norte-americana, “O resultado mais sublime da educação é a tolerância”. Assim, a partir dessa frase, percebe-se a necessidade do conhecimento para formar uma nação mais coesa e solidária com todos os seus integrantes.
Ademais, as pessoas com autismo, na maioria dos casos, não são inseridas em políticas públicas, como a educação. Embora exista a lei 12.764, sancionada em 2012, responsável por garantir os direitos para indivíduos com esses distúrbios, na realidade cotidiana do país, essa fração da sociedade fica à margem da inclusão social. Essa marginalidade acontece, uma vez que no âmbito educacional, faltam recursos de diversas ordens, como adaptação do conteúdo para pessoas com deficiência e formação adequada de professores. Em consequência desse quadro desfavorável, 48% dos autistas de 4 a 17 anos estão fora das salas de aula, pela carência de adequação dos colégios, segundo o Centro de Atenção psicossocial Infanto-Juvenil.
Tornam-se evidentes, portanto, os elementos que contribuem para o atual panorama precário do Brasil. Cabe às instituições escolares auxiliarem na formação e na inclusão de pessoas com autismo, por meio de uma reformulação na infraestrutura, oferecendo um sistema de ensino especializado com adequação a suas dificuldades, como avaliações direcionadas, com propósito de desenvolver as habilidades desses indivíduos no processo educacional. Por fim, o Poder Público deve, mediante campanhas, esclarecer e fornecer informações sobre os sintomas e restrições do transtorno autista, a fim de reduzir os casos de segregação e preconceito. Dessa forma, essa parcela da nação poderá desfrutas dos direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988.