Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 20/09/2019
No livro ‘‘Extraordinário’’, Auggie é um garoto de dez anos que já enfrentou diversos desafios em sua vida por causa de suas inúmeras doenças, que, dificultaram sua inclusão social por ter seu rosto deformado. Em comparação com as dificuldades apresentadas no livro, e apesar de serem síndromes diferentes, os indivíduos autistas no Brasil partilham de desafios semelhantes nos quais ainda trazem obstáculos para sua socialização, principalmente no âmbito escolar, que, carece de infraestrutura adequada e a falta de informações sobre o autismo em sociedade, prejudicando ainda mais o seu processo de inclusão social.
Em primeiro lugar, a falta da disseminação de informações verídicas em sociedade sobre o autismo acaba por não preparar futuros pais de crianças autistas a lidar com a síndrome, que, em muitas das vezes por receio de preconceitos, restringe os filhos somente ao contato familiar. Desse modo, como é mostrado na Sociologia, a falta da socialização secundária, em sociedade, pode causar diversos problemas de inserção social para tais crianças e jovens autistas, podendo consequentemente não conseguir conversar ou interagir com alguém fora de seu núcleo familiar, como no filme ‘‘O Quarto de Jack’’, em que o menino Jack possui tais dificuldades de socialização.
Além disso, o despreparo e a falta de programas inclusivos nas escolas tornam o mundo em um lugar cada vez mais difícil de se compreender para um autista. A socialização em sociedade e não somente dentro do núcleo familiar é essencial para a formação e desenvolvimento de qualquer pessoa, principalmente os autistas, porém, infelizmente muitas das escolas públicas hoje no Brasil não possuem um plano educacional voltado para os mesmos, e sem o contato com especialistas e uma estrutura adequada, o desenvolvimento social de uma criança ou jovem autista se torna gradativamente mais difícil.
Portanto, é dever do Estado tomar medidas para amenizar o quadro atual. Para haver um melhor redirecionamento de informações sobre o que é o autismo e maior inclusão de seus portadores em sociedade, urge que o Ministério da Educação em conjunto das mídias sociais divulgue e realize por meio de planos de ações inclusivas dentro das escolas públicas a junção de jovens e crianças autistas com crianças e jovens não portadoras da doença, em conjunto de pedagogos especializados na síndrome, visando assim um melhor desenvolvimento social e formação individual de pessoas autistas. Deste modo, poderemos talvez, criar em sociedade uma sociedade em que o autismo seja considerado normal, ímpar e extraordinário, assim como o Auggie.