Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 21/09/2019

Na série americana “O Bom Doutor”, Shaun Murphy é um jovem médico autista que enfrenta desafios para superar o preconceito, além de provar sua capacidade de exercer a medicina. Não distante da ficção, os autistas passam por dificuldades para se inserir na sociedade e garantir que seus direitos sejam efetivados. Dessa forma, a falta de políticas públicas, em consonância com o preconceito no meio social, são desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função do despreparo estrutural dos ambientes para abrigar os autistas, esses indivíduos são limitados quanto ao exercício da cidadania, consequência da carência de políticas inclusivas. De acordo com Aristóteles, a isonomia é um princípio a ser seguido para o desenvolvimento da democracia. Assim, a falta de ações que promovam a inclusão dos autistas na sociedade vai contra a lógica aristotélica, dado que os direitos sociais que deveriam atender a todos os cidadãos, não são alcançados por uma parcela desses, o que resulta na marginalização das pessoas com autismo, na medida em que as escolas, por exemplo, não estão preparadas para receber e lidar com esses sujeitos, em razão da ausência de uma estrutura adequada.

Por conseguinte, percebe-se que o preconceito da sociedade está relacionado à falta de informações dos indivíduos sobre a síndrome, uma vez que grande parte desses a veem como uma doença. A filósofa Hannah Arendt, conceitua a banalidade do mal como a discriminação sem culpa, tendo em vista que as pessoas praticam por não possuírem a percepção de que estão praticando algo errado. Em suma, ao não saberem do que se trata, indiretamente acabam por segregar os autistas, visto que o preconceito com esses, semelhante a “O Bom Doutor”, contribui para o comprometimento da interação social dos portadores da síndrome.

Infere-se, portanto, que o Estado tome providências para amenizar esse quadro. Logo, urge que o Poder Público crie, por meio de verbas governamentais, políticas públicas para a inserção dos autistas na sociedade, com investimentos na infraestrutura das redes educacionais, além de campanhas nas redes sociais que informem os indivíduos sobre o autismo, de modo que esses entendam as características da síndrome e respeitem as limitações dos portadores. Espera-se, com isso, que a população autista seja inserida na sociedade, e, ademais, se beneficie dos mesmos direitos sociais que os demais cidadãos, bem como os efeitos do preconceito sejam mitigados, de tal maneira que o princípio da isonomia seja exercido. Somente assim, os desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil serão enfrentados, tal como em “O Bom Doutor”.