Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 12/09/2019

Na série televisiva “The Good Doctor”, o personagem principal é médico e autista, desse modo, nota-se no decorrer da trama o preconceito que os outros médicos possuem sobre ele, negando até mesmo seus diagnósticos. Ao sair da ficção, encontra-se, no Brasil, um panorama parecido com o da série, ficando visível que há diversos desafios para a inclusão de pessoas com TEA –transtorno de espectro autista– no país. Assim, cabe salientar tais dificuldades, que ocorrem pela exclusão social desse grupo, e pela ingerência estatal.

Diante desse contexto, observa-se o despreparo da sociedade para acolher os indivíduos autistas como agravante da problemática. De acordo com o filósofo Schopenhauer, o homem apenas dá importância àquilo que está em seu campo de visão. Portanto, como são poucos os debates acerca das dificuldades diárias enfrentadas pelos autistas, bem como informações sobre as suas características, a sociedade não possui conhecimento acerca do tema, não sabendo lidar com esses indivíduos. Assim, os segrega ainda mais por não entender o comportamento desses, os pondo à margem da sociedade.

Outrossim, a escassa ajuda governamental agrava a má qualidade de vida das pessoas com TEA. No livro da modernista Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”, pode-se perceber a invisibilidade social sofrida pela personagem nordestina, Macabea, representando de forma clara a situação de autistas no Brasil. Devido a essa invisibilidade, causada pela apatia ou rejeição ao “diferente”, há escassez de subterfúgios estatais para a maior inclusão desses na sociedade . Isso é perceptível com o baixo investimento no setor educacional , prejudicando a qualificação de professores e contratação de profissionais especializados em cuidados com o autista. Dessa maneira, é certo que enquanto não houver alteração na postura do governo, esse setor vulnerável da sociedade permanecerá isolado.

Destarte, medidas são necessárias para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. O Ministério da Educação, por meio do CAPES, deve investir na qualificação dos profissionais da educação, oferecendo-lhes bolsas de estudo, e contratar mais educadores para auxiliar os alunos com TEA, com o intuito de que o ambiente seja favorável para trabalhar com esses indivíduos, e de que seja possível inserí-los na escola. Ademais, com essa qualificação os profissionais poderão fazer palestras abertas ao público, informando a população acerca do problema. Assim, será possível tornar o Brasil um país menos preconceituoso e mais inclusivo