Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 08/09/2019

A série “The Good Doctor” retrata a história de Shaun, um médico autista que começou a trabalhar em um grande hospital e precisa provar aos superiores sua capacidade. Analogamente ao seriado, na contemporaneidade, a sociedade enxerga o autismo como problema - e não como característica -, sendo cada vez mais excludente com esse grupo, o que pode gerar inúmeras consequências a eles. Devido a isso, torna-se necessário o debate acerca dos desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

A priori, é necessário destacar as relações desiguais e preconceituosas sofridas pelos autistas. Há mais de 2000 anos, Aristóteles inventou o conceito de isonomia, que propôs a igualdade entre os cidadãos da Grécia Antiga. No entanto, por não ter programas de integração dentro da escola, os cidadãos brasileiros são ensinados, desde pequenos, a não por em vigor o conceito aristotélico, tornando a sociedade extremamente preconceituosa e excludente com os autistas. Dessa forma, torna-se evidente que a discriminação com esse e outros grupos, está enraizado na sociedade brasileira.

A posteriori, cabe ressaltar que a discriminação e a exclusão pode gerar inúmeros prejuízos sociais. Franz Kafka, em sua obra “A Metamorfose”, retrata a vida de Gregor Mendel, um caixeiro-viajante que certo dia acorda metamorfoseado num grande inseto. A partir disso seu pai passa a ignorá-lo, e para de alimentar o inseto que morre de inanição após alguns dias. Hodiernamente o cenário assemelhasse a obra de Kafka, a exclusão social dos autistas pode gerar diversos impactos, como a depressão e o consequente suicídio desses indivíduos. Verifica-se, portanto, que o preconceito com esse grupo pode gerar graves problemas sociais.

Portanto, medidas públicas são necessárias para amenizar essa problemática. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, a inserção de programas de interação com os autistas visando exterminar o preconceito com esse grupo. Além disso, compete ao Judiciário a correta punição dos preconceituosos, como previsto na Constituição Cidadã de 1988, objetivando erradicar os discriminadores. Ademais, cabe ao Governo Municipal, a criação de órgãos de amparo de assistência social aos autistas, com a intenção de atenuar as consequências geradas por essa problemática. Dessa forma, a discriminação, como a sofrida por Shaun seria cada vez menor.