Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 12/09/2019
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição neurológica que afeta a comunicação e a relação interpessoal de pessoas que o possui. Segundo a Revista Autismo, no Brasil, cerca de dois milhões de pessoas possuem essa síndrome, assim, apesar de ser recorrente, ainda é um tabu, devido a recente consideração de tal condição como um transtorno, que foi só em 2013. Dessa forma, devido a falta de informação, essa parte da população é considerada minoria para a sociologia, ou seja, são vulneráveis e possuem baixa representatividade.
Em primeiro lugar, assim como dizia Voltaire, “O preconceito é uma opinião sem conhecimento”, assim, a falta de informação da população resulta em dificuldades nas pessoas que possuem essa condição, como a não adaptação a algumas tarefas que envolvam a comunicação e o barulho. Dessa forma, fica claro que a sociedade precisa de conhecimento sobre as características dos autistas, a fim de saberem que a repetição de tarefas e a excessiva organização devem ser adequadas ao seu dia a dia, evitando então a segregação por suas dificuldades. Exemplo de tal situação, é a personagem Benê, da Malhação, que ao adaptar suas tarefas escolares às suas características, obtinha resultados incríveis na escola.
Outrossim, a falta de investimento do governo, tanto no diagnóstico, quanto no tratamento, devido ao sistema precário de saúde brasileiro acarretam em empecilhos para os autistas enfrentarem a vida. Muitas vezes, devido ao diagnóstico tardio, os autistas encontram mais dificuldade em desenvolver atitudes que auxiliam em sua comunicação e adaptação a ambientes públicos. Retrato de tal cenário, é a dificuldade que Margareti encontrou para se desenvolver após um diagnóstico tardio de Autismo, contado no livro “A diferença invisível”.
Portanto, fica evidente que medidas precisam ser tomadas para solucionar esses desafios. Dessa forma, o Ministério da Cultura, aliado à mídia deve criar propagandas que mostrem as características, habilidades e dificuldades que os autistas possuem, a fim de informar a população que não sabe lidar com pessoas que têm o transtorno, para evitar a segregação. Ademais, o Ministério da Economia deve investir mais na saúde pública, através do oferecimento de acompanhamento com especialistas nos postos de saúde, desde a infância, para obter-se um diagnóstico cedo e então realizar o tratamento adequado. Só assim, essa condição neurológica não será mais motivo de segregação no Brasil.