Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/08/2019

É notório que a sociedade trata o Transtorno do Espectro Autista como um problema sem solução aparente. Esse fato se deve a inúmeras causas, como por exemplo, a pouca participação dos pais e profissionais no que tange o desenvolvimento da criança em áreas adversas, bem como a questão ser pouco abordada pela população brasileira. A série “Atypical”, lançada recentemente, retrata as dificuldades de um adolescente com autismo que tenta inserir-se em um grupo de amigos, e fazer da sua juventude a mais comum possível, apresentando a falta de auxílio.

Precipuamente, vale observar que as pessoas sempre buscaram excluir aqueles que apresentassem alguma deficiência, seja intelectual ou física. Durante as guerras travadas pela Grécia Antiga, filtravam ao máximo os guerreiros em campo de batalha, a fim de melhor representatividade do império, sendo excluídos e vítimas de preconceito todos que não atendiam as características de guerreiro ideal. Atualmente, fora dos cenários da Grécia Antiga, as pessoas permanecem filtrando a sociedade, excluindo aqueles que fogem de um padrão pré-determinado. Dessa forma, ainda na infância, as crianças são pouco induzidas a desenvolverem as habilidades nas quais têm mais facilidade, pelo fato dos pais não conseguirem compreender ao certo os limites da criança ou pela baixa renda familiar, que a priva de receber um acompanhamento médico correto, o que comumente agrava o grau do autismo.

Posteriormente, como retratado no seriado mencionado, as pessoas que compõem o ambiente escolar têm grande dificuldade de tratar sobre o assunto, devido a falta de conversa a respeito do transtorno. É, dessa forma, perceptível em nossa sociedade, que ainda falta estrutura para incluir todos os tipos de pessoas. Fato é que as escolas do país, bem como muitos professores e outros profissionais não esperam lidar com essas diferenças e, por isso, não buscam aprimorar seu trabalho, inserindo o aluno que apresenta o Transtorno. A deficiência que está presente em mais de 2 milhões de brasileiros e que representam 1% da população total no planeta, é cercada por preconceitos e olhares maldosos vindos daqueles que não compreendem as limitações dessas pessoas, privando-as, assim, de viverem uma vida normal.

Por conseguinte, cabe ao governo juntamente com a secretaria de educação, promoverem maior inserção das pessoas que apresentam algum grau de autismo. Seja por meio de uma reestruturação nas escolas do país, afim de melhor adaptação do aluno ao local, ou através de rodas de conversa para tornar a questão pública e mais discutida em âmbito nacional, atraindo pessoas de todas as classes e idades. Dessa forma, o Brasil avançaria mais um passo para a construção de uma sociedade igualitária, solucionando a falta de inclusão que há muito está presente.