Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/08/2019

A hora da aceitação

Na obra modernista “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, é apresentada a personagem Macabéa, que, devido às suas limitações físicas e mentais, foi subjugada e ignorada pela sociedade. De maneira análoga, os brasileiros com autismo sofrem uma exclusão semelhante, com dificuldades à adaptação. Dessa forma, torna-se evidente os desafios dos autistas no Brasil, que vivem com precário apoio governamental, além de sofrer constante segregação.

Em primeira análise, fica evidente a carente ação do governo diante a temática. De acordo com a constituição vigente no país, é estabelecida a igualdade para todos os cidadãos do Brasil. Entretanto, devido ao reduzido número de brasileiro com a síndrome - inferior à 1%, de acordo com dados da Universidade de São Paulo - não é dada atenção à conjuntura. Segundo o sociólogo Schopenhauer, o ser humano dá importância apenas àquilo presente em sua realidade palpável, o que explica a apatia do governo frente à situação. Desse modo, nota-se que as políticas públicas deficientes ajudam a promover dificuldades à vida do autista.

Ademais, é notável o preconceito vivido por essa parcela, que resulta em exclusão social e problemas à autoestima. Com base no Fato Social, do sociólogo alemão Emilè Durkheim, teoria que aponta o pensamento coletivo e a transmissão de padrões sociais, torna-se clara a perpetuação do preconceito à parcela. Essa segregação também se mostra danosa pelo fato de, nesse setor tão frágil da sociedade, prejudicar a autoestima do cidadão. Assim, essa condição pode levar a uma série de problemas psicológicos, como depressão, responsável por causar maior debilidade ao já difícil quadro do portador da síndrome. Portanto, é indubitável que o preconceito direcionado às pessoas com autismo no Brasil é prejudicial à sua vida e à sua saúde.

Destarte, devido ao supracitado, torna-se evidente a necessidade de maior atenção à temática do autismo. Cabe ao Ministério da Saúde, junto à prefeituras e governos estaduais, por meio de projetos midiáticos de veiculação nacional na internet e na televisão, proporcionar maior aceitabilidade da população à causa, com ações que possibilitem inclusão social, com profissionais especializados ensinando a atuar em situações de contato com o autista, e autoaceitação, por meio de figuras públicas com a síndrome. Isso com intuito de tornar a vida do autista mais tranquila, propiciando maior atenção aos pacientes. Assim, então, será possível tornar o Brasil um país mais confortável para todos.