Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 14/09/2019
No Brasil, a inclusão de pessoas com espectro autista ainda é falha, uma vez que a sociedade e o Estado negligenciam as necessidades e os direitos dessa parcela social. Afirma-se isso pois, analogamente a antiga Esparta, a nação isola àqueles que fogem do conceito eugênico de normalidade vigente na atualidade. Por isso, urgem ações para alterar esse cenário.
Em primeiro lugar, deve-se considerar a existência de diferentes motivos que explicam essa situação. É possível pensar, por exemplo, no preconceito advindo do desconhecimento da sociedade a respeito do autismo, visto que faltam informações para a população sobre como lidar com os portadores. Ademais, embora o artigo 5° da Constituição garanta que todos são iguais perante a lei, os autistas geralmente são rejeitados nas escolas e no mercado de trabalho por falta de políticas públicas inclusivas.
Em segundo lugar, é preciso perceber as graves consequências dessa questão. Uma delas relaciona-se a dificuldade dos portadores dessa síndrome de socializarem, visto que a população trata-os como inválidos. Entretanto, eles são seres humanos com necessidades fisiológicas e psicossociais semelhantes ao restante da população, como é retratado na série norte-americana Atypical, apenas necessitam de mais empatia para realizar atividades rotineiras. Outro efeito preocupante é a falta de equipamentos nas redes públicas e privadas para garantir a acessibilidades dos autistas nos diversos cenários sociais, o que compromete a inclusão desse grupo que é composto por cerca de 2 milhões de pessoas, de acordo com o Censo Demográfico.
Portanto, diante do exposto, torna-se imprescindível a ação da Nação. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde divulgue, por meio da mídia, informações sobre o autismo à fim de acabar com os preconceitos que o envolvem. Além disso, é dever do Estado fornecer mecanismos para que eles sejam socializados nas escolas e no mercado de trabalho, através da ajuda de acompanhantes, da instituição de atividades recreativas e de apoio psicológico. Dessa forma, a nação brasileira seria mais inclusiva e proporcionaria qualidade de vida aos autistas ao invés de perpetuar ideais espartanos.