Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/09/2019
No ano de 2008, a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o dia 2 de abril como Dia Mundial da Conscientização do Autismo, síndrome que atinge milhares de pessoas no Brasil e no mundo e que, em suma, afeta vários aspectos da vida daquele que a possui, sobretudo nas áreas da comunicação e do comportamento. Decerto, tal atitude da ONU é um passo importante no que tange à disseminação de informações referentes ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas não é suficiente. Desse modo, a efetiva inserção do autista na sociedade se faz necessária, não só no ambiente escolar, mas também no mercado de trabalho, nos quais seriam proporcionados aos indivíduos com tal condição os elementos fundamentais à sua plena inclusão no meio social.
Assim, de acordo com Aristóteles, o homem é um ser político por natureza, possuindo este, portanto, a necessidade de viver em sociedade. Logo, em consonância com o pensamento do filósofo clássico, o autista, assim como qualquer outra pessoa, deve ser incentivado à socialização tão logo possível. Para tanto, a frequência à escola se faz extremamente pertinente, na qual o indivíduo com TEA, além de adquirir o conhecimento científico, também teria acesso ao convívio com diferentes personalidades. Todavia, tendo a ciência de que garantir apenas a frequência não é o bastante, o estabelecimento de didáticas adaptadas para cada indivíduo se faz necessário, com o intuito de assegurar o máximo aproveitamento do espaço escolar por parte do cidadão com autismo.
Ademais, na série “The Good Doctor”, é mostrada a história de um jovem médico autista que, apesar de apresentar grande desempenho em suas atividades, é confrontado diversas vezes com o preconceito de seus colegas de trabalho, os quais acreditavam que o personagem não seria capaz de desenvolver suas tarefas apropriadamente por conta da sua condição. Por conseguinte, de maneira análoga com a sociedade atual, fica evidenciada a ignorância da população quanto ao autismo, o que acaba por acarretar em maiores dificuldades de uma pessoa com TEA de se inserir no meio social.
Portanto, medidas são necessárias para proporcionar a efetiva inclusão do autista na sociedade. Para tal, o Ministério da Educação, em parceria com educadores, psicólogos e profissionais que atuam no acompanhamento de pessoas com autismo, poderia determinar normas para assegurar a concreta participação do autista no ambiente escolar, estabelecendo a adaptação de conteúdos, assim como avaliações específicas para esses alunos, além de cursos de didática para que os professores consigam lidar com os estudantes que possuam tal condição. Além disso, a mídia, por meio de novelas e campanhas informativas, poderia divulgar informações sobre o TEA, quebrando preconceitos sobre o autismo. Com tais medidas, o Brasil poderá assegurar a efetiva inclusão do autista na sociedade.