Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/08/2019
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada a realidade do país. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as principais causas do problema. Em primeira análise é conveniente destacar o preconceito para com os portadores de autismo e a consequente exclusão dos mesmo de diversos ambientes como escolar e de trabalho e até mesmo no âmbito familiar. Isso é reflexo da frágil ou ausente educação inclusiva no país, que preze o respeito e a valorização das diferenças, além da falta de informações de conscientização da população sobre o autismo e sua singularidade. Esses fatores associados impedem que os autistas possam desenvolver ao máximo suas habilidades dentro de seus próprios limites, bem como comprometem a construção de sua identidade e autonomia.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o insuficiente número de profissionais especializados no tratamento e acompanhamento dos portadores do TEA - Transtorno de Espectro Autismo, e um exorbitante déficit de instituições voltadas ao autismo, implicando diretamente na qualidade de vida de pessoas autistas e das demais em seu convívio. Este cenário é agravado pela escassez de recursos que chegam até as poucas instituições existentes, incluindo o Centro de Assistência Psicossocial (CAPS), o que constitui um verdadeiro desrespeito ao direito humano, previstos na Magna Carta brasileira de 1988.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Para que isso ocorra, é fundamental que Estado introduza política púbicas eficazes no que se refere ao investimentos em novos CAPS e na capacitação profissionais tanto na área educacional, quanto na saúde, aptos a atender às especificidades da deficiência conforme cada indivíduo. Além disso, os subsídios governamentais e incentivo fiscais às entidades dedicadas ao autismo são imprescindíveis no processo de aplicação das redes de atendimento gratuito, especializados e de qualidade. Como foi dito pelo filósofo e pedagogo Paulo Freire, “a inclusão acontece quando se apende com as diferenças e não com as igualdades”. Dessa forma, caminhar-se-á rumo à uma sociedade mais inclusiva e igualitária, baseando no respeito e na valorização as diferenças, permitindo que os portadores de autismo usufruam de seus direitos em igualdade de condições aos demais membros da sociedade , a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na caverna de Platão.