Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 25/08/2019
Em 1729, o iluminismo consolidou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, garantindo pela primeira vez a dignidade humana a todos. No entanto, o corpo social ainda se mostra incapaz de incluir na sociedade os autistas de forma digna, uma vez o Estado é falho em cumprir sua função social e, lamentavelmente, a cultura do preconceito torna-se inerente no comportamento populacional. Com efeito, a construção de uma sociedade isonômica pressupõe a valorização das pessoas com autismo.
Sob uma primeira análise, é notoriamente visível que as instituições escolares não se encontram estruturas para suprir as necessidades das pessoas com o Transtorno do Espectro Autista. Essa realidade é reflexo da omissão governamental que não possibilita a criação de um sistema educacional adaptado e com profissionais especializados para atuarem na dinamização de atividades dentro da sala de aula. Nessa perspectiva, ocorre a dificuldade na aprendizagem, na socialização e no oferecimento do bem-estar ao indivíduo, o que demonstra a negligência estadual acerca do autismo.
De outra parte, o comportamento da sociedade ainda é marcado por concepções preconceituosas e arcaicas. Nessa perspectiva, o escritor e sociólogo Gilberto Freyre , em sua obra " Casa-grande e Senzala " , relata que durante a formação colonial as diferenças eram vistas como repulsa, o que evidencia que o estabelecimento de estereótipos esta enraizado na sociedade desde a formação de sua identidade cultural. Dessa maneira, a cruel realidade contemporânea ainda impõe um padrão social a ser seguido e como o autista diverge desse comportamento imposto, torna-se alvo de preconceitos e discriminação.
Urge, portanto, medidas que viabilizem a inclusão e valorização da pessoa com Transtorno de
Espectro Autista. Nesse sentido, o Estado deve, por meio do Ministério da Educação, promover investimentos para as instituições escolares públicas, com a finalidade de estruturar o ambiente escolar, com a contratação de tutores e a promoção cursos de capacitação para professores, objetivando a ampla socialização do autista e o de estimulo de atividades pedagógicas que ofereçam a discussão sobre alteridade e empatia. Além disso, as mídias sociais devem, por meio de propagandas, novelas e jornais, criar documentários que estimulem a quebra do preconceito enraizado e desenvolvam a consciência crítica do cidadão. Essas medidas são importantes porque prevê o tratamento digno previsto pelos iluministas.