Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 10/09/2019

O documentário brasileiro “Em um mundo interior” tenta, a partir do dia a dia de sete famílias, desconstruir estereótipos e mostrar que o espectro autista configura amplo universo a ser descoberto. De fato, apesar dos recentes avanços legislativos, a falta de conhecimento da sociedade e a dificuldade de diagnóstico e de tratamento são ainda obstáculos para a inclusão efetiva dos portadores do TEA (Transtorno do Espectro Autista) no país.

Primeiramente, conforme o conceito de Estigma Social do sociólogo Erving Goffman, a inabilitação do indivíduo para a aceitação social plena diante dos padrões estabelecidos determina a negação de seus direitos. Sob essa lógica, ainda que a inclusão seja uma garantia legal, a falta de informações da  população sobre o espectro causa a permanência de estereótipos e preconceitos que dificultam a inserção dos autistas no convívio social, no sistema educacional e no mercado de trabalho devido ao desconhecimento de suas potencialidades.

Além disso, ainda existe a dificuldade de diagnóstico  precoce,  principalmente das meninas com sintomas confundidos com características de timidez socialmente atribuídas à mulher, em conformidade com o pensamento da filósofa Simone De Beuavoir de que os padrões de gênero são construções sociais e não biológicas. Por outro lado, quando confirma-se o transtorno, há dificuldade de acesso ao tratamento adequado devido à carência de equipe multidisciplinar, sobretudo na rede pública e sem acesso ao acompanhamento profissional o autista não se desenvolve, não ganha autonomia e não se integra.

Portanto, partindo da premissa de conhecer para entender e entender para incluir, o Estado, por meio de atuação do Ministério da Educação em parceria com os meios de comunicação, deve elaborar debates nas escolas e campanhas públicas que esclareçam os sintomas e as diferenças do espectro, com intuito desconstruir a visão estereotipada da população e possibilitar sua inserção social. De mesma importância, devem ser elaboradas políticas de assistência social e médica por meio de ações interministeriais em nível federal, estadual e municipal, que facilitem o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento com a ampliação da equipe de médicos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos na rede de pública de saúde, a fim de possibilitar o desenvolvimento das potencialidades de pessoas autistas.