Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 21/08/2019
No romance psicológico “Memórias de um amigo imaginário”, o mundo introspectivo de uma criança autista é mostrado a partir da narração de seu amigo idealizado, que ganha voz para evidenciar as dificuldades de integração do menino em sociedade. De mesma forma, na realidade brasileira, sabe-se que as dificuldades na inserção do autistas são corroboradas pela negligência na previdência de cuidados especiais e pela pouca adaptação dos meios de assistência.
Em primeira instância, é incontrovertível que a identificação da condição é imprescindível para a aceitação desses indivíduos em sociedade. Com efeito, a ocultação da condição especial de saúde do herdeiro do trono russo, um dos fatores decisivos para a Revolução de 1917, foi motivada pelo desconhecimento acerca da hemofilia no início do século XX. Igualmente, é evidente que dificuldades na aceitação e no diagnóstico espectro autista - sobretudo em áreas de vulnerabilidade social - corroboram com a incompreensão das necessidades especiais de tal grupo. Assim, pela ignorância, abre-se espaço para a ocorrência de abusos que põem em risco sua integridade e que podem agravar progressivamente o estado psicológico em que se encontram.
Outrossim, observa-se que a falta de adaptação dos centros de ensino surge como fator de impedimento do convívio social de crianças com a síndrome. Em diálogo com o escritor francês Victor Hugo, não há detalhes desimportantes como não há pequenas folhas no todo de uma vegetação; em contraste, é visível o quanto a falta de assistência por meio de profissionais adequados faz com que as barreiras no relacionamento social dos autistas sejam pouco assistidas em virtude da crença de corresponderem a uma pequena parcela de um conjunto - criando uma situação de isolamento que perdura por todas as fases da vida e muitas vezes culmina na concepção imaginária de mundo particular desses indivíduos, como no livro citado.
Destarte, é importa na promoção da inclusão de pessoas com autismo no Brasil a resolução de medidas educacionais e familiares de apoio. Por isso, afim de garantir a contratação integral de profissionais da psicopedagogia nos centros públicos e privados de ensino, é imperioso que seja feita uma fiscalização em escolas por meio da visita mensal de agentes ligados à Secretaria da Educação de cada estado. Além disso, é imprescindível que os mesmos profissionais promovam palestras bimestrais de orientação para garantir o bem estar de que necessitam necessitam os autistas no meio familiar - orientando, por exemplo, como agir corretamente em casos de agressividade ou recusa da criança. Desse modo, será possível romper gradualmente com as dificuldades de integração das pessoas com a síndrome no país.