Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 19/08/2019

Na série “Atypical”, o personagem Samuel, diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um adolescente que desafia o contexto excludente da sociedade em que vive. Para além da ficção, no Brasil, a inclusão de pessoas com autismo ainda é analisada como um cenário desafiante. Isso se deve, sobretudo, à frágil inclusão escolar e à falta de informação.

Primeiramente, observa-se que a questão da vulnerável integração de crianças e adolescentes com a TEA nas escolas do país é um entrave no problema. Nesse sentido, apesar da lei determinar a inclusão destas, a falta de estrutura e de profissionais capacitados no ambiente escolar inviabiliza que esse direito seja efetivado, uma vez que a falta de dinamicidade e o modo como são avaliados não levam em consideração suas especificidades. Analogamente, a ideia de estigma, do filósofo Erving Goffman, na qual o individuo carrega consigo uma marca negativa e não é aceito de forma plena no corpo social torna-se comum na vivência deste grupo.

Ademais, a desinformação acerca da temática potencializa a problemática em todos os aspectos. Sob esse viés percebe-se, também, obstáculos quanto a inserção pessoas com autismo no mercado de trabalho, pois, por vezes, as empresas - em sua maioria- não enxergam as potencialidades e excelências deste público, uma vez que não existem campanhas ou mesmo diálogo sobre.  Consequentemente, a invisibilidade social, conforme a sociologia,  acabam por excluir pessoas do protagonismo socioeconômico. Porém, para desmistificar tal ideia errônea, o Banco Itaú, por exemplo, contratou pessoas com essa deficiência e conseguiu observar as habilidades e usá-las no desenvolvimento da empresa.

Urge, portanto, que o Governo em parceria com o Ministério da Educação, destine orçamentos para que mecanismos de capacitação de educadores sejam realizados, tais como treinamentos, palestras ou seminários para orientá-los como proceder com alunos com autismo, no intuito de inclui-los e mostrar ao alunado como lidar com as neurodiversidades, espera-se assim diminuir a segregação que existe no contexto brasileiro. Além disso, a participação do Ministério do Trabalho, por meio de campanhas publicitárias desconstrua pensamentos equivocados sobre a deficiência e amplie as oportunidades de pessoas com a TEA no mercado de trabalho, para integrá-los no mundo profissionalizante.