Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 31/08/2019

Segundo o educador Paulo Freire, a inclusão só é alcançada quando as diferenças entre os indivíduos são vistas como aprendizado. Nessa perspectiva, o cenário hodierno vai de encontro a tal pensamento, visto que pessoas que possuem Transtorno do Espectro Autista são deixadas às margens da sociedade. Dessa forma, é possível observar que a ineficiência de ações governamentais atrelada a estigmatização da síndrome no âmbito social impõem desafios árduos a inclusão de pessoas autistas no Brasil.

A priori, é mister ressaltar que a falta de políticas públicas efetivas culminam no fortalecimento da problemática. Isso porque, apesar de estabelecido na Lei 12.764, o desenvolvimento de ações que visam prestar serviços específicos, de modo a promover a inclusão dos portadores da síndrome na sociedade, a carência de investimentos inviabiliza tal processo. Assim, a falta de profissionais capacitados dentro das instituições de ensino, além das dificuldades enfrentadas pelas famílias em situação de vulnerabilidade social em obter tratamento médico de qualidade findam na persistência da invisibilidade dos autistas na sociedade.

A posteriori, vale salientar que o baixo desenvolvimento crítico social atua na estruturação de paradigmas preconceituosos sobre a síndrome. Nesse sentido, em sua teoria “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmun Bauman, expõe uma sociedade que preconiza a individualidade em detrimento da coletividade. Partindo dessa premissa, a pequena busca por informações que esclareçam e auxiliem a promoção de um suporte adequado aos autistas, além da exclusão desses no ambiente escolar, principalmente na infância, por falta de instrução familiar, evidencia tal teoria. Logo, é imprescindível a emersão de uma sociedade cônscia que vise a integração.

Urge, portanto, a necessidade de se combater as barreiras impostas à comunidade autista, de modo a garantir a efetivação de seus direitos e a plena participação no espaço coletivo. Posto isso, compete ao Governo Federal, por meio de verbas destinadas à educação e à saúde, promover a equipação das escolas públicas com profissionais capacitados por cursos pedagógicos, para que as necessidades das pessoas com autismo possam ser supridas. Além disso, é preciso que ocorra maior investimento nos postos de saúde e hospitais para que o atendimento seja efetivo e gratuito. Ademais, cabe a Escola, como espaço de formação crítica, promover palestras, seminários e atividades lúdicas que englobem toda a comunidade, com fito de informar a respeito da síndrome e conscientizar a população da importância de saber dar suporte e incluir os autistas no dia a dia. Dessarte, o caminho ao aprendizado poderá ser percorrido, de maneira a chegar-se na inclusão.