Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 05/08/2019
Se denomina louco aquele que age fora da normalidade, mas para o psicanálise a loucura é simplesmente uma manifestação da luta contra o inconsciente, no qual todos os seres estão sujeitos. Ademais, o patológico, tal como autismo, é apenas mais uma forma de se abordar a realidade, mas por vários fatores a sociedade não acolhe nada fora do padrão. Desse modo, a inclusão dos portadores de autismo é impedida pelo preconceito existente entre a relação da sociedade com o diferente. Além disso, o autismo ainda não é muito bem representado nas instituições, fato que gera desinformação sobre a doença.
O autismo se caracteriza por uma hiperexcitabilidade do cérebro, que de certa forma tende a não se desligar de uma determinada atividade após iniciar outra, por isso há uma desorganização das atividades mentais. Nesse contexto, o preconceituosa, que se nota, é contra um cérebro extremamente ativo, que infelizmente interfere nas outras funções mentais, mas não quer dizer que a população dita “sã” esteja fora do espectro da loucura. Por esse ângulo, o filósofo Erasmo de Roterdã, em seu livro “Elogio da Loucura”, critica a própria sociedade e elogia as loucuras sábias, uma vez que tal como o autista tem a tendência a ser bastante habilidoso em determinadas áreas do conhecimento, a sociedade releva “loucuras loucas” tais como a guerra, drogas e o próprio preconceito.
Além do mais, as instituições geram essa segregação de pessoas, pela falta de representatividade que combatam o preconceito e as disparidades. Nesse sentido, não há dentro do congresso uma frente que realmente promova projeto e leis que permitam a acessibilidade dessas pessoas, além de uma romantização exacerbada da doença em filmes e séries. Desse modo, o espaço de fala é tomado e não cedido a essa parcela da população, e toda informação que se manifesta dentro das instituições é de pessoas que compreendem termos técnicos, mas não sentem as dores da doença.
Dado o exposto, é necessário uma atuação do Ministério da Educação, por meio das instituições de ensino, promover a inserção de portadores de autismo dentro das escolas desde o maternal em turmas reduzidas e com acompanhamento profissional. Com isso, os jovens que não são portadores terão contato direto com as diferenças, fato que combaterá o preconceito desde a juventude, e o autista irá desenvolver os processos psicossociais que tem dificuldade com o auxílio de professores, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Só assim, através da educação, poderá se combater o preconceito e permitir um maior acesso desse grupo a outros nichos carentes de sua representatividade.