Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 03/08/2019
A série “Atípico” retrata as dificuldades e superações do jovem Sam Gardner,diagnosticado com autismo ainda na infância,sendo necessário que superasse barreiras na escola,no trabalho e em suas relações interpessoais.No Brasil,a falta de preparo da população para lidar com as várias vertentes que este transtorno apresenta mostra-se como um dos principais desafios para que seus portadores passem a ser socialmente inclusos ao invés de exclusos.
Um dos principais desafios para a inclusão é a falta de um diagnóstico preciso e principalmente precoce,uma vez que a genética demonstra dificuldades ao tratar deste transtorno e psicólogos podem não conseguir identifica-lo adequadamente caso os sintomas do paciente sejam sutis,ou até mesmo confundi-lo com outro distúrbio.Tais empecilhos,em conjunto com a negação dos pais frente a possibilidade do seu filho estar no espectro,faz com que muitas vezes o diagnóstico não seja feito na infância,o que facilmente levaria a uma piora no caso do seu portador,principalmente no direcionamento correto da sua trajetória escolar e na compreensão das suas limitações e qualidades a serem exploradas adequadamente.
Ademais,referir-se aos portadores como “pessoas autistas” ao invés de “pessoas com autismo” ou “pessoas dentro do espectro autista” resulta no aumento do preconceito sofrido pelos detentores do transtorno,visto que desconsidera as diversas variáveis na forma com que o autismo se manifesta individualmente e limita as pessoas do espectro a sua síndrome,como se não pudessem ser nada além do que o autismo as condiciona.A série “O bom doutor” exemplifica esta questão por meio do seu protagonista,o doutor Shaun Murphy,que manifesta em sua síndrome uma aptidão e facilidade acima dos padrões normais para estudar e exercer a medicina.
Portanto,medidas que preparem a sociedade para lidar com portadores do autismo devem ser implementadas com urgência no nosso país.Para isto,o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde devem incluir na grade de matérias das faculdades de medicina o estudo específico do autismo,principalmente para futuros pediatras,fazendo com que consigam tratar adequadamente pacientes no espectro,assim como orientar os pais e indica-los a psicólogos e centros especializados,que poderão direcionar os remédios,tratamentos e a forma de estudo adequada a manifestação específica da síndrome daquela criança, permitindo que se inclua e se adapte socialmente com maior facilidade.