Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/08/2019
A palavra autismo foi criada em 1911 pelo médico Eugene Beuler para definir um sintoma da esquizofrenia, desde então, com os avanços da medicina foi descoberto que o transtorno do espectro autista é uma doença e pode ser classificada com diversos níveis, desde leve até grave. Porém, é visível que um autista consegue se integrar na sociedade e manter relações afetivas, todavia ainda há um preconceito vigente na comunidade diante dos indivíduos portadores do transtorno. Além de que, o despreparo das instituições públicas acabam agravando o diagnóstico e o tratamento da doença.
Convém ressaltar, que ainda há um enorme preconceito na sociedade quanto à síndrome, que se dá em sua maioria por falta de informação e em muitos dos casos as crianças autistas são classificadas como mal-educadas e rebeldes. Ademais, como consequência, elas acabam sendo excluídas e exacerbando ainda mais seu psicológico, dificultando funestamente as relações afetivas e podendo fomentar outras doenças como a depressão e a ansiedade. Outrossim, os portadores devem frequentar a coletividade normalmente, apesar de suas limitações com barulhos e multidões. Isso é consoante ao pensamento da mestra Temple Grandin, que diz que nunca é tarde para ampliar a mente de um autista, ou seja, nunca é tarde para ensinar à um portador coisas novas que incitem seu pensamento.
É indubitável, que a maioria das instituições públicas como postos de saúde, centros de ensino e hospitais, estão despreparados para atender a população portadora do transtorno do espectro autista, isso se torna ainda mais visível com a pesquisa feita pela Universidade de São Paulo em treze centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil, que revelou que 48% das crianças autistas de quatro a dezessete anos estão fora das salas de aula. Ou seja, os pequenos não têm acesso à uma escola com educação e atendimento necessário para seu desenvolvimento social fluir de forma eficaz, sem nenhuma adversidade. Além disso, muitos hospitais não dispõem de espaços para a terapia de um portador do transtorno, algo fundamental para o público infantil e juvenil se desenvolver.
Diante dos fatos supracitados, a intervenção do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos é necessária, ao incitar a população por meio de palestras para fomentar o respeito e difundir a informação nas camadas populares, realizadas por médicos especialistas nos centros comunitários e com a finalidade de reduzir o preconceito e a falta de informação acerca da síndrome. Além disso, o Ministério da Infraestrutura, em conjunto com a Associação Brasileira de Autismo, deve promover uma reforma nas instituições públicas como escolas e hospitais, com estruturas necessárias e profissionais capacitados e com o objetivo de atender os portadores de forma adequada e garantir assim o pleno diagnóstico e tratamento da enfermidade, reduzindo as consequências do seu errôneo tratamento.