Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/07/2019
Na antiga cidade-estado de Esparta, as crianças que possuíam algum tipo de deficiência eram tomadas pelo Estado e, posteriormente, lançadas em um abismo, já que não eram consideradas fortes para viver naquele grupo. No cenário contemporâneo brasileiro, ainda que não aconteça essa forma de atrocidade, os deficientes, principalmente os portadores de autismo, ainda enfrentam diversos desafios quando o assunto é a sua inclusão na sociedade. Esses desafios persistem no Brasil, sobretudo, por causa da passividade do Estado e do preconceito da população.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que as políticas de inclusão das pessoas com autismo são ineficientes no Brasil, especialmente na base da sociedade, que é a educação. De acordo com o Artigo 205 da Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, a educação é um direito de todos e um dever do Estado. No entanto, no contexto brasileiro atual, esse direito não é respeitado. A falta de profissionais capacitados nas escolas para atender e ministrar aulas para os portadores de autismo, aliada ao sucateamento do sistema de ensino brasileiro, faz com que essa parcela da população não tenha acesso a uma educação de qualidade e, consequentemente, a uma formação acadêmica ou técnica, o que permitiria uma melhor inserção desse grupo na sociedade.
Em segunda análise, o preconceito por parte da população contribui para agravar o problema, principalmente no mercado de trabalho. Segundo o sociólogo Jurgen Habermas, a inclusão não se resume a trazer para perto, mas também respeitar e crescer junto com o outro. Essa teoria aborda, de forma precisa, a situação vivenciada no mercado de trabalho brasileiro, quando as empresas contratam pessoas com deficiência. Apenas com o intuito de preencher os cargos garantidos por lei, essas instituições e seus colaboradores não se preocupam em respeitar e assegurar as condições ideais para as pessoas com autismo serem inseridas na comunidade, criando, assim, uma falsa concepção de inclusão.
Portanto, fica claro que existem desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Para que esse problema seja minimizado, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio de verbas governamentais, promova a capacitação dos servidores públicos que atuam no sistema de educação brasileiro, com o foco principal em atingir um patamar ideal para oferecer uma educação de qualidade aos portadores de autismo. Ademais, é necessário que o MEC veicule, nos diversos canais de mídia, campanhas publicitárias explicitando a importância do respeito e da inclusão para o desenvolvimento do país. Somente com essas ações, diferente do que aconteceu em Esparta, as pessoas com autismo serão incluídas e respeitadas na sociedade brasileira.