Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 23/07/2019

Segundo a lei 12.764/2012, o Estado não apenas reconhece o autismo como uma deficiência, como também deve assegurar o desenvolvimento de políticas de atendimento a portadores do espectro, de modo a garantir a dignidade, respeito e integração social. Contudo, na prática, assegurar a garantia dessa finalidade parece um grande desafio, visto que negligência do governo, bem como a discriminação social e escolar constituem empecilhos à inclusão. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos desse quadro, assim como maneiras de o interromper.

Em primeira análise, é possível verificar que o descaso das autoridades governamentais, no que tange à elaboração de políticas de políticas eficientes de saúde, mostra-se como um dos maiores entraves à concretização do exercício de cidadania do autista. Isso porque reduzida parcela de recursos é voltada a ações de atendimento a essa população, sobretudo no que diz respeito a tratamentos e pesquisas. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), deve haver um psiquiatra infantil para cada 30 mil crianças e adolescentes, no Brasil, entretanto, a taxa é vinte vezes menor. Por conseguinte, é notório o despreparo de profissionais da saúde, principalmente os de rede pública, o que resulta em diagnósticos e tratamentos tardios.

Ademais, vale ressaltar, também, a exclusão enfrentada pelo autista em âmbito escolar. Consoante a revista “Saúde e Sociedade”, da Universidade de São Paulo (USP), há mais alunos no GAPSI (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil) estudando em escolas especiais do que em regulas, situação que foge à recomendação do MEC e dificulta, ainda mais, o processo de inserção social. Dessa maneira, cria-se um estigma por parte da sociedade civil de uma falsa noção de invalidez e anormalidade dos portadores da síndrome, o que acaba não só por os marginalizar, mas ainda fere o princípio da dignidade humana.

Considerando-se os aspectos mencionados, torna-se claro, portanto, a necessidade de medidas para combater a situação. Desse modo, é dever do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, aumentar a oferta de vagas para profissionais especializados em autismo, no intuito de aperfeiçoar diagnósticos e tratamento gratuito de qualidade a crianças de todo país. Com isso, é fundamental que o Ministério da Educação disponibilize recursos à capacitação de escolas e educadores, ao mesmo tempo que, junto às diretorias de ensino, providencie monitores em cada sala de aula para que acompanhem e orientem o aluno em questão. Por fim, cabe à mídia, como formadora de opinião, promover campanhas em redes sociais e canais televisivos abertos que despertem a sensibilidade social acerca do autista, a fim de combater estigmas e propagar valores como respeito e empatia.