Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 10/10/2019
Na série fictícia The Good Doctor, lançada em 2017, conta-se a história de um médico recém formado que foi diagnosticado com autismo quando criança, na série ele sofre dificuldades em ser aceito para fazer residência médica em decorrência do seu transtorno neurológico. De maneira análoga, a realidade não é diferente, já que na sociedade atual muitas pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) sofrem por preconceito e exclusão social.
Em primeira análise, o descaso estatal com a formação educacional do autista mostra-se como um dos desafios à consolidação dessa formação. Isso porque muitas destas pessoas encontram dificuldades para acessar o Ensino Fundamental, Médio ou Superior, visto que diversas instituições de ensino carecem de uma infraestrutura adaptada a esses indivíduos, como professores de apoio durante as aulas. Tal panorama representa a violação da Constituição Federal de 1988 e do Estado da Pessoa com Deficiência, os quais são mecanismos jurídicos que asseguram o acesso à educação como um direito de todos os deficientes. Isso atesta a ineficiência governamental em cumprir prerrogativas legais que garantem a efetiva inclusão autistas na educação.
Ademais, ainda são poucas as pessoas que têm conhecimento desta doença neurológica, assim, cada vez mais se expande o preconceito, tanto dentro das escolas - onde a maioria dos alunos e educadores não sabem lidar com estas pessoas, quanto no ambiente de trabalho - no qual têm experiencias frustrantes ao procurarem emprego, visto que de modo geral os autistas não são reconhecidos como totalmente capazes de executar tarefas que os demais executam.
Infere-se, portanto, que é incumbência do Estado, juntamento com o Ministério da Educação e Cultura (MEC) a crianção de cursos e palestras específicas para educadores e para os pais dos autistas, dando assim informações sobre a doença e também mostrando com a ajuda de especialistas neurológicos e psiquiátricos como se comportar e como lidar com estas diferenças, deixando-os mais confortáveis e seguros ao cuidarem destes indivíduos. Somado a isso, é de suma importância que Estado divulgue por meio da mídia campanhas que informem os principais sintomas do autismo e também que mostrem os primeiros passos a serem tomados em relação a isso, logo, as crianças seriam diagnosticadas mais cedo e a sociedade estaria mais preparada para recebê-las. Assim, se for ampliado o estudo sobre este transtorno neurológico, detalhando todos os seus graus e limitações individuais, diminuirá o preconceito e evitará que pessoas vivenciem frustrações na sociedade e no mercado de trabalho assim com o recém formado médico da série The Good Doctor vivenciou.