Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 16/07/2019

“O importante não é viver,mas viver bem”.Segundo Platão,a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência.Entretanto,no Brasil,essa não é a realidade das pessoas que possuem autismo,as quais sofrem preconceito e exclusão social.Com isso,ao invés de agir para tentar aproximar a realidade descrita pelo filósofo da vivenciada por esses indivíduos,a ignorância social perante ao tema e a ausência de desenvolvimento personalizado de habilidades de comunicação contribuem com a situação atual.

Convém ressaltar,a princípio,que a falta de conhecimento é fator determinante para a exclusão social.Infelizmente,tudo aquilo que o individuo desconhece é considerado estranho e da estranheza nasce o preconceito.Partindo do pressuposto que o autismo não é conhecido e reconhecido facilmente pelo cidadão ordinário,abre-se espaço para o preconceito e a exclusão social.Consoante a esse pensamento,o escritor e psiquiatra português Antonio Lobo postula que,‘‘Todo preconceito é fruto da burrice e ignorância".Nesse sentido,lutar pela inclusão dos autistas é primeiramente lugar contra a ignorância sobre o autismo e a postura frente ao diferente.

Vale ressaltar,também,que a dificuldade de comunicação é um fator preponderante da exclusão social.Ao considerar que a dificuldade de compreender e de se expressar diminui a capacidade de sociabilização e que os indivíduos portadores dessa síndrome possuem essa limitação,tem-se que,caso não exista um acompanhamento e desenvolvimento personalizado nas habilidades interpessoais dos autistas,a realidade proposta pelo filósofo grego nunca será vivenciada por essas pessoas.

Portanto,torna-se evidente a necessidade de medidas que aproximem a situação vivenciada por esse grupo de pessoas da proposta por Platão.Desse modo,cabe ao Ministério da Educação e Cultura(MEC),órgão que trata dos assuntos relacionados a educação e cultura em todo território nacional,educar as crianças para uma nova forma de viver e conviver,na qual respeito e curiosidade substituem desprezo e afastamento ao diferente,por meio da introdução da disciplina de ética e moral na Base Nacional Comum Curricular,tanto do ensino básico quanto do ensino médio por todo o país.Outrossim,compete ao Ministério da Saúde,em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, desenvolver habilidades sócio-emocionais e comunicativas nos indivíduos detentores dessa síndrome,por intermédio de secções gratuitas com psicólogos especializados.Assim,poder-se-á criar um país mais condizente com a realidade proposta dois séculos atrás.