Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 18/07/2019
Após a 2ª Guerra Mundial, o conceito de cidadania, caracterizado como o exercício de direitos e deveres civis, políticos e sociais, ganhou corpo com a criação do Bem-Estar social, enraizando princípios coletivistas e igualitários na sociedade. Contudo, a realidade vivida por pessoas com o transtorno do espectro autista não condiz com os ideais de cidadania. Pois, sabe-se que na prática, autistas são reféns de uma inclusão social falha, resultado do desconhecimento e despreparo da família, da sociedade e dos profissionais especializados.
Realidade advinda pela incompreensão sobre o que é, como se manifesta e quais suas causas, abrindo espaço para preconceitos e discriminação, o que torna a socialização do autista inacessível. Somente após a década de 1970 as causas do autismo foram desvinculadas da culpabilidade dos pais e atribuído a distúrbios neurológicos que afetam a linguagem e a socialização.
Existe no Brasil a Lei nº 12.764 que institui a proteção dos direitos da pessoa com transtorno autista, regulamenta a participação de inclusão da comunidade, o acesso a saúde integral, visando diagnósticos precoces e atendimento multidisciplinar,porém, há uma lacuna diante do que prevê a lei e o que de fato é implementado.
Assim, oferecer cidadania para pessoas com autismo depende de uma melhor aplicabilidade das leis. Para isso, é necessário melhor suporte orçamentário para escolas de ensino regular atuarem de forma multidisciplinar, investimentos em diagnósticos precoces, acompanhamento em pre-natais, uso de profissionais especializados como psicólogos e psiquiatras para aproximar a população a essa realidade, tornando possivel a inclusão de autistas na sociedade.