Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 11/07/2019
Problemáticas ostracistas: Uma contribuição à regressão social
A prática de atribuir determinada problemática ao chamado tabu social é, certamente, fator contribuinte ao agravamento da situação. Discutir acerca da homossexualidade somente às escuras, ao longo da história, resulta, hoje, em entraves a sua aceitação; o mesmo quanto aos direitos da mulher, do negro, e até da liberdade religiosa. Por conseguinte, reitera-se a esse cerco regressivo a questão dos desafios de inclusão de pessoas com autismo no Brasil, não só devido ao reconhecimento tardio da doença, mas também pela dificuldade de inserção desses indivíduos na sociedade.
Em um primeiro momento, vale ressaltar a questão do reconhecimento social tardio do autismo. Nesse contexto, o brasileiro portador do autismo sofre atualmente quanto ao requerimento de assistência médica, seja para o diagnóstico precoce, seja para o tratamento, dado que a doença foi reconhecida pela OMS somente a pouco menos de 30 anos. Consequentemente, insuficientes ainda são as discussões acerca da síndrome, mormente no meio criacional de políticas públicas, o que contribui com a carência tanto de projetos de pesquisa voltadas à melhoria de vida desses indivíduos quanto com ampliação do suporte ofertado, gratuitamente, ao autista e a seus cuidadores, por exemplo, no SUS.
Além disso, têm-se impasses quanto à inclusão desse grupo no ambiente acadêmico. Por conseguinte, por ser o autismo uma doença que afeta os aspectos comportamentais, há a premência de cuidados individuais ao portador. Contudo, em boa parte das escolas brasileiras ausenta-se esse auxílio – garantido legalmente – como bem reportado pela equipe de reportagem do Profissão Repórter na matéria ‘’ Autismo’’, de 2019. Desse modo, dificulta-se, pois, a inclusão do autista no meio social quando a negligência governamental corrobora a desnaturação de direitos já conquistados.
Dessa maneira, torna-se evidente a necessidade de nos atentarmos para os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Posto isso, a fim de pôr em prática as asseguridades constitucionais do autista brasileiro, o Ministério da Educação deve, por meio de decretos do Poder Legislativo, investir não só na inclusão de profissionais especializados tanto no diagnóstico precoce do autismo quanto em seu tratamento, à ambientes de postos públicos, mas também em projetos que notifiquem as pessoas a presença e a importância de tal assistência. Ainda, para efetivar essa mobilização, escolas podem trabalhar com projetos que tragam a discussão sobre esse problema ao cotidiano nacional, como por meio de peças teatrais. Dessa forma, será possível que a periferização desses indivíduos, nas gerações futuras, seja algo inexistente, dada a concretização de seus direitos.