Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 10/07/2019

Para o filósofo Rousseau, a igualdade social da humanidade seria alcançada quando a democracia fosse adotada como regime político. Hodiernamente, o cenário brasileiro pode ser visualizado como uma exceção à essa regra, uma vez que um país dito como democrata apresenta uma dificuldade de inserir socialmente a população autista, um panorama decorrente da ignorância social e falta de investimentos específicos para essa minoria.

Primeiramente, vale ressaltar que o fato do meio social estimular individualmente uma facilidade no ato de pensar e dificuldade no procedimento reflexivo viabiliza uma ignorância geral. Para o filósofo Kant, a ignorância é aceitável quando o conhecimento ultrapassa o horizonte comum, mas inadmissível quando o saber é necessário e cognoscível.Nesse raciocínio, um indivíduo autista é injustamente omitido da sociedade, já que sua condição psicológica não é diagnosticada previamente, e quando feita, ainda é notada uma insipiência quanto ao significado desse estado psíquico para o desenvolvimento cognitivo do portador. Dessa forma, o apedeutismo à conjuntura mental do autismo impede um inclusão saudável desses “estranhos” no cenário social.

Em segundo lugar, o despreparo social às necessidades desse grupo influi negativamente nesse contexto. Para Aristóteles, a justiça social não é alcançada pela igualdade, que se refere ao tratamento igualitário, e sim pela equidade, que se refere ao tratamento específico conforme a condição individual. Com base nessa lógica, em uma sociedade que não reconhece as necessidades especiais, o autista é disposto em um tratamento social idêntico a um indivíduo normal, ao invés de ser adotada uma abordagem específica para tal em determinadas situações. Consequentemente, a reduzida assistência ao indivíduo carecido implica a dificuldade de sua inserção nas condições básicas de supervivência.

Portanto, é inegável que os autistas apresentam obstáculos nacionais que os impedem de serem correta e socialmente inclusos. É necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o poder midiático, instrua o diagnóstico de possíveis autistas, por intermédio da elaboração de propagandas destinadas aos responsáveis da criança, que discutam sobre os prováveis sinais comportamentais e físicos que os portadores de autismo apresentem, a fim de auxiliá-los no reconhecimento de suas limitações. Outrossim, o Poder Legislativo deve garantir um tratamento especializado para esse grupo, mediante elaboração de leis que, com o auxílio de profissionais da saúde, identifiquem as alterações necessárias nos setores sociais para o correto atendimento às deficiências desse grupo, com o fito de promover um tratamento social equânime. Desse modo, será possível concretizar o pleno Estado democrata.