Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/07/2019
No Brasil, os desafios da inclusão de pessoas com autismo não deve ser visto, hodiernamente, apenas como uma mera questão de ausência da aplicação da cidadania, mas sim como uma ignorância coletiva sobre a problemática que apresenta razões inadmissíveis. Nesse sentido, é preciso assegurar o respeito, a tolerância e a dignidade em meio á sociedade, de sorte a combater aquele problema endêmico. Destarte, é irrefutável que ocorra uma remodelação dos projetos governamental e escolar.
Em uma primeira abordagem, a violação das leis que asseguram os direitos aos autistas é uma realidade. No que concerne a esse contexto, essa síndrome que afeta, principalmente, aspectos da comunicação e comportamento do indivíduo, foi reconhecida como doença só no final do século XX, o que causa até hoje uma defasagem de conhecimento sobre o assunto. A lei nacional promulgada em 2012, que visa a integração, ainda é descumprida na prática, haja vista que o auxílio governamental no diagnóstico e acompanhamento do paciente com autismo é ineficiente e que muitas escolas regulares não aceitam esses alunos, mesmo sendo direito garantido pela lei, seja pelo preconceito de que essas crianças não tem capacidade de conviver com outras não autistas, seja pela falta de estrutura.
Paralelo a isso, a carência de informação sobre o problema é um impasse. No que tange a isso, os brasileiros acabam corroborando para a exclusão de pessoas com essa síndrome, já que criam um senso comum, errôneo, sobre os autistas. No livro, “Em algum lugar das estrelas”, a autora Clare Vanderpool narra a história de Early Auden, um menino americano, que no início do século X|X vive em uma colégio interno onde é totalmente excluído dos outros alunos por conta de seu jeito peculiar de agir e ver o mundo, já que na época ainda não se sabia o que era o autismo. Em verdade, fica evidente que o ser humano tem costume de repudiar o diferente, repudiar aquilo do qual não consegue compreender. Assim, é necessário o debate sobre o assunto tanto nas escolas quanto nos meios sociais em geral.
É necessário, portanto, que os atores sociais trabalhem frente a esse impasse. Para tanto, o poder judiciário deve garantir o cumprimento das leis por meio de incentivo financeiro as escolas, para que elas possuam toda a estrutura necessária, com a finalidade de receber e efetivamente integrar crianças autistas. Ademais, é fulcral que a escola promova uma conscientização sobre a importância de conviver bem com quem é diferente. Tal empreitada social será executada por intermédio de seminários, palestras e projetos de extensão, de forma a gerar maior empatia entre os mais jovens, e assim ir mitigando a intolerância entre os demais cidadãos. Desse modo, a experiência do personagem Early Auden ficará presente somente na ficção, e a realidade dos autistas brasileiros será de inserção nas mais diversas áreas do país, gozando de seus direitos civis e sociais como garante a lei nacional.