Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/06/2019
A série ‘’The good doctor’’ relata a vida do médico Shawn Murphy que possui um tipo de autismo moderado, apresentando seus desafios e aprendizados diários, na série é possível observar o dilema do protagonista em se relacionar com as pessoas, sendo que ele muitas vezes é um tanto quanto excluído do meio social, justamente pela falta de conhecimento da população, no geral, sobre a doença de Shawn. No Brasil, pessoas que apresentam o mesmo transtorno do médico sofrem muito para se integrarem na sociedade, isto se deve ao desconhecimento populacional, que gera diversos preconceitos acerca da doença e pela falta de suporte governamental.
Em primeiro lugar é importante salientar que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma síndrome neurológica que acarreta em dificuldades de comunicação e socialização, devido a isso faz-se mister que existam maneiras especiais para a imersão do portador na sociedade, e para isso é necessário que os brasileiros conheçam o que é o autismo e suas características, para que seja evitado preconceitos e mitos acerca do TEA resultando assim em maiores possibilidades ao portador, parafraseando o filósofo iluminista Voltaire, o preconceito é a opinião sem conhecimento.
Outrossim, a falta de suporte do governo a famílias com portadores do autismo é uma grande influenciadora da exclusão dessas pessoas na sociedade. O tratamento para o autismo é muito caro para a maioria das famílias brasileiras, chegando a valores maiores de 12.000 reais por mês, de acordo com pesquisas do ‘’Globo repórter’’, programa televisivo brasileiro, tendo em vista que o salário mínimo brasileiro, que é a realidade de boa parte da população, é cerca de R$ 954 reais, ficando clara a indisponibilidade de custear o tratamento por essas famílias, necessitando então do governo para bancar essas despesas, além disso, para a integração em centros educacionais é necessário um acompanhamento especial e infraestrutura preparada, a qual o Brasil carece como mostra uma reportagem do ‘’Globo repórter’’ em que muitas vezes a Mãe precisa ir a escola com o filho para auxiliá-lo, já que nas instituições publicas, em sua maioria, não possui acompanhamento especializado. Destarte, o Ministério da Educação (MEC), juntamente com as escolas, por meio de palestras, deve apresentar o que é o autismo e suas necessidades, trazendo pedagogos e psicólogos, a fim de que se desmistifique e acabe com o preconceito para com os portadores do TEA desde a infância. Como também o Ministério Público deve, juntamente com o Ministério da Saúde, disponibilizar tratamento gratuito a portadores do autismo, como também deve, em parceria com o MEC, contratar psicopedagogos e psicólogos para todas as escolas publicas do Brasil, podendo assim garantir a inclusão de pessoas com autismo no Brasil.