Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 29/07/2019
Em uma de suas célebres frases o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre afirmou: “o ornamento da vida está na forma como um país trata suas crianças”. Nesse sentido, é perceptível que a nação precisa olhar com atenção para as dificuldades enfrentadas pelas crianças e pelos jovens, em especial os com necessidades especiais, como os do espectro autista. Dessa forma, é imprescindível destacar o preconceito enfrentado nas escolas e a negligência estatal como empecilho à inclusão dos autistas no Brasil.
Em primeiro plano, a dificuldade de adaptação ao sistema educacional apresenta-se como primeiro desafio enfrentado pelos membros do espectro autista. A série “Atypical”, da roteirista Robia Rashid, retrata os desafios do jovem Sam Gardner, secundarista que além de não conseguir se relacionar com os colegas de sala é desmotivado pela mãe a não ingressar na faculdade. Fora da ficção, muitos estudantes autistas apresentam semelhança análoga aos problemas de Sam, haja vista que, em função do preconceito, são excluídos da socialização no ambiente do estudo, seja escolas ou faculdades.
Ainda convém lembrar que, assim como a discriminação, a negligência do governo às questões referentes ao autismo contribui negativamente para essa problemática. Na fábula “A Revolução dos Bichos”, o escritor George Orwell utiliza de analogias para criticar as sociedades da Europa Oriental ao proferir que embora todos os animais sejam iguais alguns são tratados de forma mais igualitária que outros. No Brasil, é possível perceber que o Estado, em oposição as diretrizes da Constituição Cidadã, se omite em situações relacionadas ao espectro do autismo, à exemplo de dificuldade básicas, como a educação, o emprego e o acesso especializados em hospitais.
Torna-se evidente, portanto, que políticas públicas são necessárias para promover a inclusão de pessoas autistas no Brasil. Por isso, o Ministério da Educação deve, em parceria com as escolas, promover campanhas que estimulem a interação entre os estudantes — jogos desportivos e atividades em grupo são ótimos projetos que podem ser implementados. Além disso, é crucial que o Congresso Nacional, o Governo Federal e o Supremo Tribunal Federal se posicionem em defesa da inclusão de pessoas no espectro, visando assim, a elaboração ,a execução e a fiscalização de leis que assegurem os direitos desse grupo.Talvez assim, é possível a criação gradativa de um Brasil inclusivo, no qual, jovens autistas não sofram como Sam Gardner.