Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 07/08/2019

“Atypical” é uma série americana que conta a história de um rapaz de 18 anos, diagnosticado dentro do espectro do autismo, na qual retrata os desafios de inclusão enfrentados em decorrência da síndrome. Não obstante, hodiernamente, vários jovens brasileiros vivenciam uma exclusão social pelo fato de serem autistas. Nesse viés, deve-se pontuar a inércia governamental como causa, bem como a desinformação e o preconceito.

Em primeiro plano, sabe-se que é dever do Estado garantir a educação a todos e atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. Apesar do direito garantido por lei, segundo o site G1, dentre 2 milhões de casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no país, apenas 488 estão matriculados no ensino superior. Com efeito, essa conjuntura é análoga ao pensamento filosófico de John Locke como uma “violação do contrato social”, visto que o aparato estatal não cumpre sua função de garantir os direitos dos cidadãos.

Em segundo plano, a ausência de informação sobre a doença acarreta uma certa alienação. Em vista disso, tem-se a dificuldade de inserir essas pessoas na sociedade, uma vez que a escassez de informe leva ao preconceito e à discriminação. Ainda mais, apenas em 1993 o autismo foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, de acordo com os dados da USP em 2018, o que corrobora a falta de conhecimento sobre a síndrome. Logo, é preciso criar mecanismos que objetivem a informação do corpo social.

Dessarte, é crucial que o Estado proporcione recursos de qualificação dos profissionais de educação por meio de treinamentos e simpósios sobre como proceder com alunos diagnosticados com esse transtorno, para que eles possam ter atendimento educacional qualificado. Ademais, a Associação Brasileira de Autismo, por intermédio da mídia, deve promover campanhas informativas sobre o TEA, as quais trabalharão valores como respeito e tolerância a fim de minimizar o preconceito e incluí-los no âmbito social. Feito isso, a realidade distanciar-se-á da série “Atypical”.