Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/06/2019

Na obra realista de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, o personagem principal se apaixona por uma mulher “coxa”, porém não se permiti casar-se com ela devido a sua deficiência. De forma análoga, muitos indivíduos com transtornos neurológicos também sofrem com a exclusão social e, dessa maneira, os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil têm como alicerces a falta de informação e o preconceito, além da ausência de treinamento adequado dos profissionais da educação, sendo assim um grave revés.

Primeiramente, a desinformação acerca do autismo constitui um dos principais problemas para a inclusão dessas pessoas na sociedade. Mesmo com alguns avanços na área científica, pouco se sabe sobre essa doença, o que acarreta uma alienação sobre o assunto. Por conseguinte, tudo aquilo que é desconhecido causa medo e, tem-se a dificuldade de inserção dos autistas na sociedade, uma vez que a falta de informação leva ao preconceito e à discriminação. Isso é o que aponta uma pesquisa da USP em 2018, a falta de conhecimento sobre o autismo corrobora para o preconceito. Portanto, é preciso promover mecanismos que objetivem o acesso informacional da população como um todo.

Ademais, a falta de qualificação técnica de boa parte dos docente nas escolas é um dos desafios para a educação e socialização das crianças autistas. Para Aristóteles, o homem é um ser social e a vida em sociedade é de suma importância para a sua realização pessoal. Nesse aspecto, a inclusão de pessoas com autismo é essencial para a manutenção do bem estar social. A partir de uma educação de qualidade, é possível minimizar os efeitos da doença, a fim de tornar os autistas inseridos, de fato, na comunidade.

Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para incluir as pessoas com autismo na sociedade. Cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação proporcionar mecanismos de qualificação dos profissionais de educação, com treinamentos, e orientações sobre como proceder com alunos com esse transtorno, para que, eles possam se desenvolver e viver em sociedade. Além disso, o Ministério da Educação deve promover campanhas para informar melhor a população sobre essa tão desconhecida doença, e deve, também, aliar-se à instituição familiar, para que sejam trabalhados valores como respeito e tolerância, de modo a proporcionar para essa parte da população, melhor qualidade de vida.