Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/06/2019

De fato, uma das correntes literárias mais famosas do século XIX foi o Realismo, alguns temas mais tratados pelos escritores realistas foram a escravidão e os preconceitos raciais e sociais, entretanto, Machado de Assis, retratou em uma de suas obras, Memórias Póstumas de Brás Cubas, com tamanha descrição, a deficiência física de uma das personagens, inferiorizando-a por ser “coxa”. Assim, o Brasil do século XIX permanece o mesmo do século XXI, enraizado de preconceitos e exclusão, por isso, há desafios na inclusão de pessoas com deficiência na sociedade, sejam essas físicas ou neurológicas, como no caso do autismo.

Como exemplo disso, segundo o Censo Escolar divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o número de crianças autistas em escolas regulares aumentou em 37%, todavia, apesar do crescimento significativo, as crianças autistas pouco recebem assistência, pois dificilmente há um profissional, como um pedagogo, acompanhando o desenvolvimento desses alunos em sala de aula. Dessa maneira, é indubitável que a exclusão do período realista se afirma na realidade brasileira, uma vez que essa falsa inclusão não faz com que o aluno se sinta confortável, já que esse não tem, na maioria dos casos, alguém que o acompanhe na jornada escolar.

Além disso, no mercado de trabalho brasileiro, a inclusão entre os PcD (Pessoa com Deficiência) também é crescente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o número de contratados é cerca de 0.9%, porém mesmo com a ascendência no mercado, essa ainda é pequena se comparada aos 24% de PcD’s que totalizam a população, e há 1 em cada 59 crianças autistas retratadas pelo CDC (Centro de Controle de Doenças). Dessa forma, é evidente que apesar do aumento nas escolas e nas empresas, ainda é desafiante ser um aluno ou funcionário quando trata-se de uma pessoa com deficiência, já que esses são na maioria dos casos inferiorizados por suas “limitações”, que na verdade, são muros impostos e enraizados por uma sociedade que se prolonga no  decorrer dos séculos e tem preconceito velado.

Em síntese, a rotulação de Machado de Assis permeia o século XXI em cenário mais abrangente ainda. Por isso, é cabível ao Governo Federal que estabeleça um conjunto de leis que assegurem a inclusão dos autistas nas escolas e no mercado de trabalho, por meio de um decreto que contenha medidas como a obrigatoriedade de contratação de um profissional especializado por aluno autista nas escolas, a fim de haver maior inclusão e desfazer os muros e desafios construídos pelos brasileiros.