Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/06/2019

Na literatura brasileira, Machado de Assis já retratava a discriminação de pessoas com deficiência, na sua obra realista Memórias Póstumas de Brás Cubas, cujo personagem principal se apaixona por uma mulher “coxa”, mas não se casa com ela devido a sua deficiência. Na contemporaneidade, muitos indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos também sofrem com a exclusão social e, dessa forma, os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil têm como pilares a falta de qualificação adequada dos profissionais da educação e o preconceito, o que se configura como uma chaga social.

Em primeiro plano, evidencia-se que a negligência do atendimento por profissionais capacitados, oportuna que o caso se agrave. Segundo a professora de psicologia da USP, Martha Hubner, um método funcional para a prosperação na qualidade de vida de indivíduos com autismo é a terapia comportamental. No entanto, a demanda de especialistas para tratar esse segmento, no sistema público, é inferior a quantidade de pacientes, pois faltam psicólogos, psiquiatras e neuropediatras, o que inviabiliza o diagnóstico e a abordagem de tratamento de modo rápido e eficaz.

Outrossim, a cultura do preconceito presente na sociedade, também é um empecilho para que os autistas se relacionem de forma mais expansiva. Na antiga Grécia, particularmente em Esparta, quando crianças nasciam com deficiências, físicas ou mental, eram condenadas à morte, pois eram consideradas inativas. Esse preconceito gerado desde a antiguidade permanece vivo até hoje, incapacitando que se tenha uma socialização entre os deficientes.

Destarte, percebe-se que é imprescindível que medidas sejam tomadas para que ocorra a inclusão de pessoas com autismo na sociedade. Portanto, o Ministério de Saúde em parceria com o governo deve promover o aumento de profissionais capacitados, como neuropediatras, psiquiatras e psicólogos, e por meio de palestras dar mais visibilidade aos autistas perante a população, para que saibam lidar com eles da melhor forma possível. Além disso, o Ministério da Educação em parceria com as escolas, deve efetuar campanhas educacionais para possibilitar a socialização entre os alunos com autismo e os demais, a fim de diminuir os impactos causados pelo preconceito e exercer a igualdade entre os cidadãos.