Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/06/2019

Estima-se que, no Brasil, existam cerca de dois milhões de autistas. Entretanto, a vivência desses indivíduos não ocorre de maneira plena, principalmente quando abordadas as questões sociais relacionadas a esse grupo. Apesar de estarem em um número expressivo, a maioria dos cidadãos portadores de autismo vivem à margem da sociedade, com ínfima possibilidade de inclusão.

Nas longínquas pólis gregas, era costumeiro que as pessoas portadoras de alguma deficiência ou transtorno fossem abandonadas ou atiradas de montanhas, posto que, para os gregos, não existia espaço para esses indivíduos em suas cidades. De forma análoga, tal exclusão ocorre na contemporaneidade, porém é expressa de diversas maneiras e nem sempre de forma proposital, comumente decorrente do desconhecimento da sociedade. Essa incompreensão do espectro autista pode ser elencada como um dos principais desafios da inserção dos autistas na sociedade, visto que dela decorre, muitas vezes, a descoberta tardia da condição por parte dos responsáveis pela criança. O diagnóstico tardio é contraproducente, pois, segundos profissionais da USP, a criança de até um ano e meio, caso exposta ao tratamento, tem grande potencial de evolução.

A ignorância acerca do autismo não é prejudicial somente na esfera particular dos cidadãos acometidos, mas também em como o restante da sociedade os percebe e molda-se para acolhê-los. De acordo com a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtornos do Espectro Autista, esses indivíduos tem direito inalienável à educação, do ensino fundamental ao superior, bem como à saúde e proteção social, caso necessário. Contudo, a esfera educacional, majoritariamente, não está preparada para receber o autista e educá-lo, objetivando seu desenvolvimento e inclusão plena na sociedade atual. Esse despreparo é evidenciado pela dificuldade em adaptar os conteúdos e avaliações para os alunos com autismo, decorrente da formação ineficiente dos professores, bem como a escassa presença de tutores quando esses são necessários. Além do mais, a criança autista depara-se, também, com problemas como o bullying, esse originado, às vezes, da ausência de atividades integradoras entre os colegas.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas, a fim de integrar completamente o cidadão autista na sociedade. Objetivando o combate à desinformação, faz-se primordial que os órgãos federais, como o Conade, sigam a lei Berenice Piana e promovam campanhas de conscientização constantes acerca do autismo. Além disso, cabe às esferas estaduais e municipais a capacitação de profissionais da educação, para que esses tenham a habilidade para lidar com alunos do espectro autista e suas singularidades. Assim, no futuro, ocorrerá a inclusão social plena desses indivíduos.