Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/06/2019

Em “Meu nome é Rádio”, filme baseado em fatos reais, conta uma pequena parte da história de James Robert, que passa a ser chamado de “Rádio”, por andar com uma caixinha sonora de pilhas, o jovem é portador de uma deficiência mental, até então, sem designações. Nesse contexto, a narrativa aborda os obstáculos de aceitação social que James enfrenta até ganhar a confiança do treinador Harold, que o insere num contexto esportista e dinâmico. Para além das câmeras, é fato de que população autista se depara com uma sociedade insipiente oriunda de uma educação deficitária que negligencia a inserção gregária do indivíduo portador do transtorno neurológico.

Primeiramente, vale destacar que, a população brasileira direcionou seus debates acerca do autismo, de maneira acentuada, apenas em 2012, quando foi sancionada lei que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa de Espectro Autista, esta prerrogativa constitucional tardia contribuiu para o desenvolvimento de uma sociedade omissa e preconceituosa, que partilha de uma crença limitante sobre as capacidades motoras dessa minoria. Partindo desta premissa, fica cada vez mais difícil assegurar direitos e garantias para essa parcela significativa da população, já que há um cenário relapso, que não conduz a luta do espectro autista de forma efetivamente prioritária.

Por conseguinte, a educação de baixa qualidade é um fator determinante para o negativo desempenho dos autista no Brasil, tal cenário, confere-lhes a condição pejorativa de indivíduo insociável, peculiar de uma política educacional seletiva, que escolhe investir, ainda que de forma ineficaz , o que lhes é de menor custo, pouco trabalhoso e mais benéfico. Assim, famílias adotam a postura de conformidade frente à esfera pública aceitando tal descaso. Paralelamente, este é o objetivo de Estado: ter uma sociedade negligente e omissa, contrária ao treinador Harold.

Portanto, diante de tais adversidades, é pertinente que a sociedade organizada se aproprie de uma iniciativa para pressionar o poder público, visando otimizar e abranger a educação qualificada para a população autista, contribuindo para seu desenvolvimento social de forma que Rádio e Harold se orgulhassem. Atrelado à isso, o Estado deve promover ações de conscientização comunitária destarte, gradativamente  o preconceito seja eliminado, como foi na cidade em que James habitava.