Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2019

No Brasil, o processo de inclusão de pessoas com autismo encontra diversos desafios para que seja realmente efetivado, devido a falta de conhecimento da sociedade e a escassez de políticas de saúde pública para essa parcela da população.

Convém ressaltar, a princípio que, a falta de conhecimento da sociedade sobre o transtorno do espectro autista prejudica a inserção desse indivíduo no convívio social. Em seu canal no youtube “Diário de um Autista”, Marcos Petry, jovem autista escritor e palestrante, expõe particularidades no modo de ser de pessoas com a síndrome, como a dificuldade de compreender metáforas, ordens complexas, emoções e, em alguns casos, o incômodo que sentem ao serem tocados.Assim, por apresentarem um modo diferente de se comportar são taxados como “loucos e agressivos” por outras pessoas, tal preconceito prejudica o desenvolvimento pleno das pessoas autistas, bem como gera certa resistência na sociedade para incluir esses indivíduos em escolas, igrejas e demais espaços.

Consoante a essa dimensão social, vale ressaltar a falta de políticas de saúde pública para o tratamento  e o diagnóstico do autismo e, também, de apoio às pesquisas na área. De acordo com a Lei n° 12.764, é garantido a atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro autista, no entanto, em entrevista a Revista Fapesp, o psiquiatra Mercadante afirma que o diagnóstico de autismo ocorre tardiamente por volta dos 5 ou 6 anos, com o atraso no diagnóstico o atendimento da criança por multiprofissionais, o acesso a medicamentos e nutrientes específicos, também ocorre de maneira tardia e toda a possibilidade de estimular o desenvolvimento das habilidades cognitivas e sensoriais se esvaem, tendo em vista que o cérebro se desenvolve mais rapidamente nos primeiros anos de vida.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de políticas de saúde pública voltadas para as pessoas autistas e o acesso à informações sobre a síndrome na sociedade.Desse modo, é preciso que o Governo Federal e Instituições privadas financiem projetos de pesquisa sobre o autismo, a fim de com mais conhecimentos seja possível realizar diagnósticos mais rápidos e precisos, além disso é necessário que enquanto não se confirma a síndrome na criança, a rede pública de saúde, sob orientação do Ministério da Saúde, forneça acompanhamento com psicoterapeutas, a fim de garantir o pleno desenvolvimento desses indivíduos.Ademais, é imprescindível que as escolas realizem palestras com profissionais da área da saúde, explicitando diversos aspectos da síndrome e a importância do acolhimento dessas pessoas na sociedade sem discriminação, a fim de garantir autonomia e o exercício da cidadania para os indivíduos autistas.