Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 03/06/2019
Na série de televisão The Good Doctor, o personagem principal é um autista que se formou em Medicina e passa a trabalhar em um hospital, tendo que sofrer a pressão de conviver com os colegas que não acreditam no seu potencial devido a sua síndrome, mesmo com sua extrema habilidade médica. De forma análoga, na sociedade brasileira, as pessoas que possuem autismo passam por desafios diários, como dificuldade de inclusão, em decorrência do preconceito e da ineficiência do Estado em atender suas necessidades.
É importante mencionar, em primeiro lugar, a influência do preconceito nessa problemática. Desde os primórdios da humanidade, pessoas consideradas diferentes e fora dos padrões são excluídas socialmente. De acordo com a Teoria do Habitus de Bourdieu, tal pensamento é inserido, naturalizado e perpassado às gerações futuras. Por isso, nos dias atuais, a comunidade tem pouco conhecimento sobre o autismo, e tende por não ter um papel ativo na inserção dessa parcela crescente dos brasileiros, contrariando as diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, inserida por lei no ano de 2012.
Convém ainda citar a improficiência do Estado perante o desafio de incorporar os autistas no meio comum. Segundo o filósofo John Locke, ao abrirmos mão da nossa liberdade absoluta para sermos dirigidos por um governo, esse deve garantir o bem-estar social de todos os seus cidadãos, o que não é observado nesse caso. Nos locais públicos, como as escolas, por exemplo, são poucos os funcionários aptos a lidar com os portadores da síndrome, e o acesso à educação deles não é efetivo. Até mesmo as pesquisas do número de autistas o país ainda não realizou. Existe somente uma estimativa, baseada em dados da OCDE, centro de controle de doenças americano, de 2 milhões em território brasileiro.
Percebe-se, portanto, a necessidade de uma maior inserção dos autistas no corpo social. Devido a isso, cabe à Mídia, em seu papel de influenciadora da população, por meio de propagandas na internet e na televisão, informar a população sobre a condição dos portadores de autismo no Brasil e a imprescindibilidade de sua particpação a fim de assegurar melhor qualidade de vida a eles. Concomitantemente, cabe às gestões federais, estaduais e municipais, a criação de um órgão específico que vise certificar que a Política Nacional seja cumprida e que seus direitos sejam garantidos, por meio de políticas públicas e parcerias público-privadas. Dessa forma, o caminho em direção à igualdade poderá começar a ser travado e as disparidades no país, diminuídas.