Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/06/2019
Dificuldade de comunicação e interação social são características recorrentemente usadas para definir o Transtorno do Espectro Autista.Dessa forma,pela definição limitada e simplista de tal síndrome,há impedimentos para o conhecimento aprofundado de uma doença que se expressa em diferentes graus e é marcada por peculiaridades em cada um deles.Assim,a falta de informação acrescida do despreparo familiar,social e médico constituem desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil.
A lei 12.764,que instituiu a politica nacional de proteção dos direitos da pessoa com autismo,pela ONU,demonstram uma maior preocupação em discutir essa temática.No entanto,essas iniciativas perdem a eficácia a medida em que os próprios profissionais da saúde ainda têm dificuldade em realizar um diagnóstico preciso,levando a piora de quadros que poderiam ser amenizados se tratados precocemente.Diante disso,a família sem efetivo apoio Estatal,pois nem sempre tem acesso a tratamento com equipe multidisciplinar voltado para saúde ou educação dos autistas, e por isso sem um direcionamento para os cuidados necessários acabam tornando esses indivíduos mais dependentes,dificultando sua integração.
Nesse viés,a legislação e as datas comemorativas diante de uma sociedade despreparada acabam mantendo essas pessoas na invisibilidade.Nas escolas,primeiro ambiente para a socialização com o qual temos contato,é comum a prática de bullyng direcionada aos autistas,afastando-os ainda mais do convívio social.Desse modo,segundo Gilberto Dimenstein,os autistas se tornam cidadãos de papel,pois as garantias que possuem se restringem ao texto constitucional,impedindo-os de exercerem sua cidadania.Algumas mudanças na forma de enxergá-los,porém,já são perceptíveis por empresas que buscam contratá-los,objetivando explorar pontos positivos da síndrome,como a maior habilidade de concentração.A SAP Brasil é um exemplo disso.
Portanto,é indispensável que o Ministério da saúde em parceria com o Ministério da Educação disponibilizem mais informações acerca da síndrome.Isso pode ser feito através de cursos para capacitação de agentes da saúde,os quais ficarão responsáveis por disseminar o conhecimento nas escolas,enfraquecendo,assim,práticas discriminatórias.Além disso,a produção e distribuição de cartilhas explicativas,nos postos de saúde,hospitais e redes sociais,feitas pelos profissionais da saúde é essencial para que os pais detectem a síndrome em idades tenras e procurem tratamento,a fim de resultar em maior independência para os autistas,além do cumprimento de seus direitos.