Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/06/2019
Durante a Grécia Antiga, crianças nascidas com deficiências eram consideradas inúteis para sociedade e relegadas ao abandono. Hodiernamente, pós Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, que evidencia os direitos igualitários para qualquer indivíduo, ainda são notórias as lembranças do descaso com essas crianças durante a história, como o preconceito por parte da sociedade e a negligência governamental, com esse grupo social, em evidência: as crianças autistas. Com efeito, torna-se necessárias as análises dessa problemática no Brasil, a fim de promover a inclusão social das crianças com autismo.
Em primeiro plano, vale ressaltar como a exclusão e o preconceito da sociedade pelas crianças autistas é um fato histórico e perpetua-se até os dias de hoje, afastando-as da efetiva inclusão. Já que, de acordo com a ideologia do sociólogo Pierre Bourdieu, a partir do processo de socialização, os indivíduos incorporaram estruturas sociais que lhe são impostas, naturalizam-as e as reproduzem ao longo das gerações. Nesse viés, as estruturas baseadas na intolerância e no prejulgamento são postas em prática e afastam os autistas da convivência social e consequente, inclusão.
Paralelo a isso, é evidente a negligência estatal com a educação brasileira, principalmente com a inclusão dos autistas. Nesse sentido, o Estado segue o pensamento da filósofa Marilena Chaui de democracia não efetiva. Visto que, para essa pensadora brasileira, a democracia deve ser um sistema com direitos igualitários para todos, sem ações que prejudiquem um grupo em prol do outro. Entretanto, os órgãos públicos responsáveis por essa inclusão são ineficientes, já que não há investimentos nessa área e logo, há falta de infraestrutura e profissionais para acolher essas crianças. Ademais, essa situação é agravada, a partir de cortes de investimento em áreas públicas pelas propostas de emendas constitucionais, como a PEC-55, que congela gastos na educação pública por 20 anos. Sendo assim, a inclusão social das crianças autistas é cada vez mais árdua, posto que não há amparo estatal.
Portanto, o preconceito enraizado pela sociedade e a falta de investimentos pelo Estado dificulta a inclusão social das crianças autistas na sociedade brasileira. Logo, a educação faz-se como fundamental para reverter esse problema. Cabe, então, ao Ministério da Educação investir nos institutos educacionais, a partir de incentivos fiscais, a fim de haver infraestruturas físicas e uma equipe multiprofissional para cuidar e ajudar na inclusão das crianças autistas na escola, e assim na sociedade. Dessa maneira, ainda altera-se as estruturas do preconceito, a fim de ensinar outras crianças a importância da inclusão de crianças autistas. Na perspectiva de tornar a democracia do país efetiva, como Chauí preconiza